“O governo tem alguns limites aos apoios e ao dinheiro que pode usar no combate à crise, mas na comunicação tem de agir”, defendia há dias Bruno Bobone, ao Dinheiro Vivo. O empresário e presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) propunha então a criação de um “gabinete de crise à semelhança do que se faz em tempos de guerra – que é comparável, como se tem dito, ao momento que vivemos -, “em que envolvesse vários players e que “apoiasse o governo para validar as medidas de forma mais eficiente e se comprometesse com as soluções criadas, nomeadamente fazendo-as chegar de forma clara aos que delas precisam”.
E agora chega a concretização dessa ideia. Em colaboração com o Ministério da Economia e Transição Digital, a Câmara de Comércio criou um gabinete de apoio, que pretende "apoiar as empresas nos seus processos de acesso às medidas extraordinárias lançadas pelo governo no âmbito da Covid-19", explica a CCIP.
A partir já de hoje, no âmbito do gabinete de crise, a Câmara de Comércio prestará apoio e esclarecimento das dúvidas das empresas e reportará ao ministério os resultados deste acompanhamento.
"Este é um passo fundamental quando as empresas correm contra o tempo, para travar a sua asfixia financeira", diz Bruno Bobone. "A aprovação por parte do Ministério da Economia da criação do gabinete de crise permite estabelecer um canal privilegiado para as empresas esclarecerem dúvidas e tornar mais rápidas e eficazes as medias de apoio ao tecido empresarial português."
O gabinete funciona com abertura a todas as empresas e de forma gratuita, sendo disponibilizados dois canais de comunicação, o website e o telefone 213 224 056. Para além da equipa da Câmara de Comércio, o gabinete conta com o apoio da Yunit para matérias de investimento, financiamento ou sistemas de incentivos e ainda com o apoio jurídico da sociedade de advogados Azeredo Perdigão & Associados.
Recorde-se que, no último inquérito sobre o impacto do coronavírus na economia portuguesa, realizado pela CCIP, as empresas apontavam para dificuldades no acesso às medidas de apoio do governo, com a maioria (52,5%) a indicar ter vontade de pedir o fracionamento do pagamento de impostos, 48,8% a referir que vontade de diferir os pagamentos à segurança social, 40,1% a considerar vir a recorrer às linhas de crédito, e 38,3% a indicar pretender recorrer ao lay-off simplificado. (Veja aqui os rsultados do inquérito) Mas a forma de chegar a esses apoios não era clara para uma larga fatia delas, pelo que a CCIP agiu junto da Economia para agilizar o acesso às informações necessárias e, consequentemente, ao conjunto de apoios disponibilizados para as empresas.