Carlos Tavares na calha para ser o novo CEO da Peugeot Citroen

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Carlos Tavares deverá vir a assumir o cargo de CEO da PSA Peugeot Citroen no próximo ano. O grupo automóvel francês vai anunciar nos próximos dias o nome do gestor português para número dois do grupo, mas no médio prazo, a entrada de Carlos Tavares visa prepará-lo para assumir o cargo de CEO e suceder a Phillipe Varin, avança o jornal Le Figaro.

O antigo número 2 da Renault demitiu-se este verão em conflito com Carlos Ghosn, CEO desta construtora automóvel francesa. Carlos Tavares pretendia assumir um cargo mais relevante dentro do grupo, mas a sua ambição foi travada pelo líder brasileiro da Renault-Nissan.

Na altura, Tavares assumiu publicamente que o seu futuro poderia passar pela liderança das norte-americanas General Motors ou Ford, mas o seu futuro deverá continuar a passar por França. "A minha experiência seria boa para qualquer companhia automóvel. Porque não a GM? Eu teria honra em liderar uma empresa como a GM", disse no verão em entrevista à Bloomberg, pouco tempo antes da sua saída da Renault em rota de colisão com o brasileiro Carlos Ghosn.



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Agora o seu nome surge como a hipótese mais forte para vir a liderar a PSA. Carlos Tavares já se reuniu com a família Peugeot, o maior acionista com 25% da companhia, e com o atual CEO, e o seu nome reúne a unanimidade para liderar a empresa. A nova liderança do grupo está a ser preparada pelo próprio Phillipe Varin, no cargo desde 2009.

"A PSA precisa de um líder que venha dos automóveis, que seja um vendedor, que pense no mercado e que prepare a empresa para o aumento de capital que se avizinha", disse uma fonte próxima do processo ao Le Figaro. Uma das críticas apontadas a Phillipe Varin foi, precisamente, o facto de não vir do setor, tendo um passado ligado à produção de aço.

A empresa enfrenta neste momento vários desafios, como a expansão fora da Europa, pretendendo aumentar as vendas na China, América Latina e Rússia, de forma a combater a estagnação económica europeia onde as vendas estão em queda. No próximo ano, a empresa deverá também avançar com um aumento de capital, com uma das hipóteses a ser a compra de cerca de 60% da companhia pelo Estado francês e pela construtora automóvel chinesa DongFeng, ficando com 30% cada, num negócio por um valor de 4 mil milhões de euros.

"O mercado iria definitivamente aplaudir a chegada de Tavares. Ele é um gestor altamente apreciado. Após trabalhar durante algum tempo com Varin, para perceber as dinâmicas do grupo, seria um excelente candidato para liderar as transformações da PSA", disse à Bloomberg Jose Asumendi, analista do banco de investimento JP Morgan.

A notícia da entrada de Carlos Tavares na Peugeot Citroen foi bem recebida pelo mercado, com a cotação da PSA a subir 4,84% para os 10,72 euros na bolsa de Paris na manhã de segunda-feira.

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