Cartão multibanco será bilhete para transportes públicos

Empresas de transportes estudam mecanismos inovadores que permitem pagamentos mais rápidos. Solução mobile também ganha força.
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As filas nas máquinas de carregamento de cartões de transporte estão perto do fim. O Dinheiro Vivo sabe que há negociações a decorrer entre as empresas de transportes urbanos de Lisboa, o governo e entidades de pagamento, como a Visa, para que o cartão de débito, o normal cartão para uso no multibanco, ocupe o lugar dos bilhetes de transporte.

No Porto, cerca de três mil validadores de cartões Andante - da CP, Metro do Porto e STCP - já têm 14 anos, estando previsto para 2016 e 2017 um investimento elevado para a sua substituição. Quando acontecer, diz fonte ligada à empresa, também “haverá espaço para a adoção de mecanismos de pagamento mais modernos e eficientes. Se serão via mobile ou cartão de débito é que ainda não se sabe”.

Na capital, as negociações entre entidades de pagamento e a Transportes de Lisboa estão “em fase avançada”, diz fonte ligada ao processo. Mas a ideia passa por poder “replicar um modelo que já existe noutras cidades da Europa”, ganhando-se espaço para que o Lisboa Viva dê lugar ao cartão de débito. “Há conversas, mas o facto de os transportes urbanos serem detidos pelo Estado pode atrasar ligeiramente o processo, especialmente se houver custos envolvidos”, revela outra fonte. Os custos também vão pesar na decisão a tomar no Norte. O Porto pagou no ano passado uma fatura de 600 mil euros para alterar as leituras dos cartões de débito nas máquinas de pagamento e rejeita, por ora, grandes investimentos.

A boa notícia é que os atuais validadores dos transportes públicos que fazem a leitura dos cartões e passes mensais já são ativados por um mecanismo contactless. Ou seja, são ativados por aproximação. Isto significa que os leitores, em princípio, não terão de ser trocados, bastando mudanças no seu software. Ao mesmo tempo, o serviço não exige troca dos cartões bancários porque a maioria dos bancos já ativou a funcionalidade.

Ao que foi possível apurar, a introdução de um novo sistema por cartão de débito não deverá anular os atuais passes mensais, antes facilitar a vida a quem utiliza com menos frequência os transportes públicos. Em vez de o utilizador carregar ou comprar um cartão para a ; viagem, poderá ativar os torniquetes e entrar diretamente na estação com o cartão do banco. O mesmo mecanismo serve para autocarros, comboio ou metro. É uma espécie de pay and go, já massificado, por exemplo, na cidade de Londres.

Quem conhece este novo sistema acredita que a utilização poupa tempo ao passageiro e permite simplificar a vida, especialmente aos turistas, que têm dificuldade em entender as máquinas atuais e as zonas que exigem bilhetes diferentes. Com o cartão de débito, a compra errada deixa de fazer sentido porque o cartão abre o torniquete na entrada e contabiliza o percurso na saída. O valor vai sempre corresponder ao do percurso realizado, neste caso à zona de saída do passageiro.

Já existe em Portugal um sistema parecido com o que agora se negoceia de forma mais generalizada, graças a um acordo entre a Transportes de Lisboa e a Caixa Geral de Depósitos. O cartão Caixa Viva foi o primeiro cartão de débito bancário a permitir pagar automaticamente as viagens nos transportes da Área Metropolitana de Lisboa. Já serve para o metro, autocarro, barco ou comboio e, tal como agora se tenta generalizar, permite adquirir um título de viagem aproximando o cartão do validador e seguir viagem.

O exemplo de Londres

Em Londres, o sistema de pagamento de transportes por cartão já está ativo em autocarros, comboios e comboios urbanos, geridos por marcas distintas. Por cá, não é certo que o sistema seja alargado a várias empresas. No entanto, a Transportes de Lisboa gere a Carris, o Metro e a Transtejo, pelo que o serviço poderá ser alargado a estes transportes.

No Reino Unido os motoristas dos autocarros também vendem bilhetes, como em Portugal. ; No entanto, por uma questão de segurança, facilitação de troco e até de rapidez do serviço, já resistem a aceitar dinheiro. O cartão de débito para os transportes está, por isso, massificado.

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