Como a subida da Euribor afeta o crédito à habitação de taxa variável

Apesar de o aumento da Euribor ser generalizado, não afeta todos os créditos à habitação de taxa variável de igual forma.
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O Banco Central Europeu (BCE) anunciou uma subida dos juros e a primeira consequência foi o aumento das Euribor (taxas utilizadas no crédito à habitação), que tem impacto nas prestações da casa a pagar pelas famílias com crédito à habitação de taxa variável.

"Embora o aumento seja generalizado, não afeta todos os créditos à habitação de taxa variável de forma igual, ou seja, depende do ano em que foram contratados e do valor já pago pelas famílias", explica o portal imobiliário Idealista, que fez algumas simulações para demonstrar o impacto nas prestações. Mas já lá vamos.

"A grande maioria dos créditos à habitação de taxa variável que são assinados no País utilizam o sistema de amortização francês", explica o Idealista. Significa isto que no início do contrato, a maior parte da prestação é para pagamento de juros e o restante para amortização do capital em dívida.

Os anos passam e começa-se a pagar menos juros e mais capital, sendo que no fim do empréstimo só se paga o capital. Esta é a razão pela qual o impacto do aumento da Euribor não é o mesmo no caso de um crédito à habitação contratado em 2021 e outro em 2005, por exemplo.

Os especialistas do Idealista, para explicar as diferenças do impacto da Euribor no crédito à habitação consoante o ano, fizeram uma simulação com o financiamento de 150 mil euros, taxa Euribor a 12 meses (a mais frequente nos novos contratos), spread a 1,5% (limite superior do mais contratados), num prazo de 25 anos (próximo do prazo médio de 26 anos em 2021). E sem amortizações antecipadas.

Nas simulações, uma família que tenha contratado um crédito à habitação de taxa variável em agosto de 2021 terá de enfrentar um aumento da mensalidade de 118 euros (1421 euros por ano), "mês em que, recorde-se, a Euribor a 12 meses já estava nos 1,249%", avança o Idealista. Quem contratou antes terá aumentos inferiores, visto que contam com mais capital amortizado e juros pagos.

Por exemplo, uma família que contratou o empréstimo no ano de 2018 terá um aumento da prestação da casa de 104 euros (1245 euros por ano). E quem contratou em 2013 verá a prestação subir 80 euros, o que se traduz num aumento de 960 euros por ano.

Por seu turno, quem assinou o contrato de crédito à habitação em 2005, não só beneficiou de um período em que as Euribor a 12 meses estavam negativas, como verá que a prestação só vai subir 44 euros (528 euros por ano), menos de metade, comparando com quem contratou o empréstimo em 2021.

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