Consumidores confiam cada vez menos nas marcas

Estudo 'Meaningful Brands 2021' revela que vivemos a era do ceticismo: menos de metade das marcas são consideradas de confiança e 71% dos consumidores inquiridos estão pouco convictos de que estas cumpram as suas promessas
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Os consumidores estão cada vez mais céticos. O estudo 'Meaningful Brands 2021', do grupo Havas, inquiriu 395 mil pessoas em todo o mundo e conclui que só 47% das marcas são consideradas de confiança. Mais, 75% das marcas existentes no mercado poderiam desaparecer que a maioria dos clientes "não se importaria ou encontraria facilmente uma alternativa".

Realizado em meados de 2020, "durante o auge da pandemia", o estudo mostra ainda que 71% dos inquiridos assumem ter poucas expectativas de que as marcas cumpram o que prometem. Os resultados revelam ainda que apenas 34% dos consumidores consideram que as empresas têm critérios de transparência em relação aos seus compromissos e promessas.

"O estudo deste ano mostra-nos que os consumidores entraram na "era do ceticismo". Eles estão rodeados de perceções como promessas vazias ou não cumpridas em todos os níveis da nossa sociedade, e estamos a começar a ver o impacto dessa desconfiança nas marcas. Tradicionalmente, as empresas têm prestado atenção às necessidades funcionais e individuais das pessoas, mas as marcas agora enfrentam um desafio maior. Quanto mais afirmam estar a proporcionar mudanças a um nível coletivo e social e quanto mais essas promessas não forem cumpridas, maior será a lacuna entre o que esperamos e o que realmente obtemos, e mais profundo será o ceticismo"", destaca, em comunicado, Mark Sinnock, Global Chief Strategy Officer do Havas Creative Group.

O inquérito revela, ainda, que, apesar do ceticismo, os consumidores procuram, acima de tudo, marcas que fazem a diferença: 73% dos inquiridos acreditam que as marcas "devem agir agora para o bem da sociedade e do planeta" e 64% (mais 10 pontos percentuais do que em 2019) prefere comprar em empresas "com uma reputação orientada tanto para o propósito como para o lucro". Mias importante ainda, 53% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por uma marca com assuma este posicionamento.

Com a pandemia, as prioridades das pessoas mudaram, com a saúde pública, a economia e a política a estarem no centro da atenção dos consumidores, seguindo-se as questões ambientais, indica ainda o estudo Meaningful Brands, que é realizado bianualmente desde 2009. As experiências com relevância, a ajuda em tempos de crise e a disponibilização de conteúdos úteis são algumas das oportunidades para as marcas destacadas pelo inquérito do grupo Havas. E há, ainda, que ter em conta as expectativas da geração Z, que esta "especialmente focada na redução das desigualdades (em áreas como raça, sexualidade e oportunidades) e prefere as marcas que assumem a liderança em questões sociais e defendem a diversidade".

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