Os consumidores que aderirem à tarifa regulada de gás serão abastecidos com gás natural dos contratos de longo prazo, os chamados take or pay que, na atual conjuntura de escalada dos preços do gás nos mercados, garante preços mais reduzidos para os consumidores. Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), "os custos de aquisição de gás ao abrigo destes contratos de longo prazo apresentam menor volatilidade de preços face aos preços observados nos mercados grossistas. No contexto atual, os preços destes contratos de longo prazo são, desde meados de 2021, inferiores aos preços observados nos mercados grossistas internacionais de gás natural".
Questionada pelo DN/Dinheiro Vivo sobre o impacto que pode ter nos operadores do mercado liberalizado uma potencial saída massiva de consumidores para os chamados comercializadores de último recurso, que aplicam a tarifa regulada, a ERSE sublinha que "a medida anunciada pelo governo é uma medida temporária, pelo que se houver uma mudança dos clientes do atual comercializador para os Comercializadores de Último Recurso (CUR) prevê-se uma redução temporária das carteiras de clientes dos comercializadores a atuar no mercado liberalizado e um aumento da carteira dos CUR". Há grupos no mercado livre que também integram CUR, como é o caso da EDP, através da EDP Serviço Gás Universal, e a Galp, com as nove concessionárias e empresas licenciadas em várias regiões.
Em causa está um universo de 1,3 milhões de consumidores que podem mudar para a tarifa regulada, mas o impacto que terá sobre as fornecedoras do mercado livre depende das regras que forem definidas pelo governo, e que têm ainda de ser aprovadas em Conselho e Ministros e publicadas em Diário da República. Segundo a atual legislação, a tarifa regulada para clientes finais de baixa tensão com até 10 mil metros cúbicos de consumo anual será extinta no final de 2025 . Para os que consumos superiores, a lei prevê o fim da tarifa a 31 de dezembro deste ano.