Deco faz parceria com empresa e dá descontos em gás natural

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Quando uma

Associação de Defesa do Consumidor celebra um protocolo com um

operador específico e coloca esse produto no topo das recomendações,

levantam-se dúvidas. Estará a Deco - Associação Portuguesa para a

Defesa do Consumidor a promover um produto em detrimento de outros? O

estudo continua a ser isento?

A Deco celebra este tipo de protocolos

há 12 anos e o mais recente é com a Goldenergy, uma empresa do

grupo DouroGás. O protocolo dá um desconto de 3% sobre o consumo de

gás natural aos associados da Deco que mudem para a Goldenergy, o

que significa uma poupança de cerca de 54 euros para padrões de

consumo médios.

"A Deco não

recebe rigorosamente nada sobre esta matéria. Nestas parcerias, todo

o benefício é passado ao consumidor", assegura ao Dinheiro

Vivo o diretor da Deco Proteste, Pedro Moreira. "Queremos

oferecer serviços aos nossos associados para que fiquem mais

satisfeitos." Para a Goldenergy, o benefício é ser a Deco a

assumir a comunicação do produto. "Trazemos uma massa de

potenciais clientes que, obviamente, lhes dá um custo de angariação

inferior e permite melhores ofertas", adianta.

No estudo sobre a

oferta de gás natural em Portugal, o serviço Deco Goldenergy

aparece no topo, com um custo anual de 307,42 euros para o consumo

médio de um casal com filhos, que use tarifa regulada e consuma 320

metros quadrados. O serviço Goldenergy Goldgás está em segundo,

com 316,51 euros de custo anual, e o Galp On Simples está em

terceiro, com 348,53 euros.

"O estudo dá

visibilidade a uma prática já existente", refere Pedro

Moreira, sublinhando que qualquer entidade referida nos primeiros

lugares das análises da Deco tem um benefício indireto. Augusto

Macedo, da Goldenergy, refere que a proposta partiu da Deco e que

foram necessárias alterações à oferta. "A Deco analisou o

nosso contrato e fez-nos mudar cláusulas antes de propor a

parceria", indica. Estas mudanças, adianta Pedro Moreira,

referem-se ao período de fidelização e à penalização em caso de

fim de contrato a pedido do consumidor. "Defendemos que os

operadores devem ter produtos livres que permitam fomentar a

concorrência", diz o diretor. "Ao produto que já era o

melhor adicionámos um desconto de 3%, e o contrato eliminou os

períodos de fidelização." Esta questão é válida também

para os clientes individuais que não sejam associados da Deco, ou

seja, para os consumidores em geral desaparece a fidelização.

Pedro Moreira

considera que estes protocolos não prejudicam de modo algum a

credibilidade da Deco, até porque são uma prática que a associação

tem há algum tempo. "Há 12 anos que a DECO faz parcerias com o

mercado. Verificámos que em áreas com operadores de grande dimensão

ou em mercados com alguma complexidade, ainda que com apoio total das

nossas recomendações, os consumidores sentiam dificuldade em

renegociarem os seus contratos." A Deco estabeleceu algumas

regras para estas parcerias, nomeadamente a consulta ao mercado

(todas as empresas são contactadas no âmbito destes protocolos), a

obrigatoriedade de revisão das cláusulas contratuais e mecanismos

de resolução de litígios mais céleres. "A nossa preocupação

está nos mercados que tocam no orçamento das famílias de forma

mais direta, tais como os serviços públicos essenciais e crédito à

habitação", adianta o responsável, "áreas em que o

consumidor é mais vulnerável, não só porque não pode escapar a

ter eletricidade, gás e outras mas também porque são encargos de

tão grande dimensão que qualquer poupança é bem vinda." A

Deco tem protocolos na área dos seguros automóveis, cartões de

crédito e análise de radão em zonas graníticas. Vai lançar em

breve um protocolo para seguro multirrisco de habitações e de

análise de água e está à procura há alguns anos de um acordo

para seguros de saúde. "O facto de estabelecermos regras muito

claras é importante no sentido de salvaguardar o único valor que a

Deco tem, que é a sua credibilidade e independência."

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