Disney muda estratégia: Mickey e Pateta dão lugar aos Vingadores

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a chegada do Verão, as salas de cinema enchem-se de blockbusters que

facturam verbas astronómicas. Mas este ano, um simples filme bateu

todos os recordes. Os Vingadores, da Disney, tomou de assalto o

box-office, facturando até agora mais 1,5 mil milhões de dólares.

Mais do que o Homem de Ferro, O Incrível Hulk e Thor juntos. Já é

o terceiro filme mais rentável de sempre, só ultrapassado por

Avatar e Titanic, e, diz o Financial Times, vem validar a estratégia

da Disney quando comprou a Marvel em 2009 por 4 mil milhões de

dólares.

A

aquisição da Marvel não foi apenas para fazer filmes. A Disney

planeia usar o vasto catálogo de super-heróis que agora tem

disponível em todas as suas áreas de negócio, desde os parques

temáticos, aos programas de televisão, passando por uma longa lista

de merchandising, como os collants Hulk ou as lancheiras do Homem de

Ferro.

O

negócio da Marvel trouxe algumas tensões dramáticas a um empresa

que sempre esteve orientada para a família, muito por causa do

estilo de gestão do director executivo da marvel, Isaac "Ike"

Perlmutter, muito orientado para o merchandising e o licenciamento de

brinquedos. Perlmutter era o maior acionista da Marvel antes da

Disney avançar para a compra, recebendo 1,5 mil milhões em acções

e um lugar na mesa das decisões.

Neste momento é o segundo maior

acionista individual da Disney, logo atrás do Steve Jobs Trust, e

tornou-se uma força imparável dentro da companhia. De tal forma que

há quem diga que quando um empresa adquire outra, é a cultura de

quem compra que pervalece. Neste caso foi o contrário.

A

Disney Consumer Products, conhecida como DCP, é mais pequena que as

outras áreas de negócio do grupo, mas altamente rentável. Em 2011

gerou lucros de 816 milhões de dólares, cerca de 10% dos lucros

totais da empresa. No último trimestre o resultado operacional

estava a subir 35%. Liderada desde 2000 pelo escocês Andy Mooney,

centrou-se especialmente no licenciamento de produtos a longo prazo.

Mas os conflitos com Perlmutter, que defende licenciamentos curtos

com garantias mínimas, avolumaram-se e Mooney acabou por sair.

Ike

Perlmutter, diz o escritor Matthew Garrahan, sempre foi um líder

pouco convencional em Hollywood. Nascido em Israel, serviu no

exército durante a Guerra dos Seis Dias e começou a ganhar dinheiro

nos cemitérios de Brooklyn, onde oferecia serviços fúnebres em

hebreu.

Nos anos 1990, em conjunto com Avi Arad, comprou uma empresa

de brinquedos que dependia fortemente dos personagens da Marvel.

Quando esta declarou falência, os dois perceberam o potencial que

ali estava e conseguiram fazer um takeover sobre a companhia.

Percebendo de antemão que os filmes podiam potenciar as vendas de

brinquedos, chegaram a acordo com a Sony Pictures e com a 20th

Century Fox, o qe originou sucessos como Homem-Aranha e X-Men.

Obcecado

pelo controlo de custos, Perlmutter é muito cioso da sua privacidade

e não existem fotografias públicas onde apareça. Quando em 2008

apareceu na estreia de Homem de Ferro, estava disfarçado. Ninguém o

conheceu. A mão de ferro com que conduz os negócios tem

admiradores, como Stan Lee, o criador de algumas das mais famosas

personagens da Marvel e a verdade é que, no papel, o casamento entre

a Disney e a Marvel parece perfeito. Como toda a estratégia recente

do grupo, diga-se.

Em

2009, com o mercado caseiro dos DVD em clara contração, a Disney

avançou para o franchising, criando obras que pudessem gerar

sequelas e spin-offs. Comprou a Pixar, o portento por detrás de

filmes como Toy Story ou Em busca de Nemo, pela qual pagou 7,4 mil

milhões de euros. A Marvel foi a peça seguinte no puzzle. O

resultado está à vista e os filmes com base no catálogo da Marvel

sucedem-se.

Para os próximos dois anos estão previstos sequelas de

Thor, Capitão América e Os Vingadores.

Um

analista da Standar & Poor's, Tuna Amobi, lembra que quando o

negócio foi feito muitos investidores torceram o nariz. Mas o

sucesso de Os Vingadores convenceu toda a gente de que foi uma grande

aquisição.

Se a compra da Pixar veio reanimar o sector de animação

da Disney, o core do grupo, a verdade é que ninguém parece ter

agora dúvidas de que a Marvel trará ainda melhores resultados à

empresa. Há quem se queixe de que a herança cultural da Disney está

a ser delapidada. Mas os resultados falam mais alto. Com Mickey,

Pateta, Thor ou Homem-Aranha. Who cares?

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