Economia paralela representa 19% da riqueza nacional

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A economia paralela em Portugal atingiu

31,1 mil milhões de euros, um valor que representa 19% do produto

interno bruto (PIB) nacional. A conclusão é de um estudo

pan-europeu sobre a economia paralela desenvolvido pela A.T. Kearny e

Friedrich Schneider, especialista nesta área, para a Visa Europe. O

estudo, que se baseia em dados do ano passado, avaliou o impacto do

fenómeno em Portugal, revelando que, embora o valor esteja em linha

com a média do continente europeu, quando comparada com a Europa

Ocidental, Portugal fica 6,5% acima da média.

"Com mais de 170 pagamentos

eletrónicos per capita por ano, Portugal encontra-se melhor

posicionado que os restantes países do sul da Europa. No entanto,

existe ainda uma grande distância entre Portugal e os países

líderes em pagamentos sem dinheiro, distância essa que pode

tornar-se ainda maior devido ao impacto negativo da crise económica,

que conduz a uma diminuição do número de terminais POS (ponto de

venda) e à baixa aceitação de cartões de pagamento para

transações de baixo valor. Neste contexto, os sistemas de pagamento

eletrónico podem ajudar a reduzir a economia paralelo", afirmou

Sérgio Botelho, diretor-geral da Visa Europe Portugal.

De acordo com uma simulação feita por

Schneider sobre a dimensão da economia paralela, realizada com base

em vários fatores influenciadores, exceto os pagamentos eletrónicos,

um aumento de 5% do número de pagamentos eletrónicos em Portugal

poderia conduzir a uma redução entre 2% a 3% da economia paralela

do país. Já, por exemplo, caso se verifique um crescimento de 15%

da utilização de meios eletrónicos de pagamento a economia

paralela poderia reduzir entre 6% a 9% do PIB, ou seja, entre 9,8 mil

milhões e 14,7 mil milhões de euros.

Apesar dos esforços contínuos para

que a economia paralela em Portugal diminua, os dados mostram que os

valores se mantiveram estáveis nos últimos cinco anos. Os

responsáveis pelo estudo justificam a não descida destes valores

com o facto de "existir um sistema judicial lento, com um histórico

de penalizações brandas para as atividades paralelas". Além

disso, destacam "o aumento dos impostos no IRS e do IVA que

acabaram por contribuir para um aumento da economia paralela".

O estudo salienta ainda o facto da

economia paralela ser "dominada pelo dinheiro", sobretudo no

trabalho não declarado e nas vendas incorretamente declaradas. "O

dinheiro facilita a ocorrência de transações totalmente anónimas

e indetetáveis e quase todas as operações associadas à economia

paralela utilizam dinheiro como meio de pagamento", revelam os

responsáveis do estudo.

Esta é, uma das principais razões que

leva Sérgio Botelho a defender os meios de pagamento eletrónicos

como forma de diminuir esta atividade.

O relatório destaca como benefícios

dos meios eletrónicos a diminuição da economia paralela, aumento

de receitas fiscais adicionais, estimulação do crescimento

económico, diminuição de casos de dumping" (valor abaixo do

custo de produção) salarial nos trabalhadores ilegais, otimização

das receitas devido à existência de soluções de pagamentos e de

serviços de valor acrescentado. Além disso, os responsáveis pelo

estudo acreditam ainda que a utilização de meios de pagamento

eletrónicos conduz a uma diminuição da "necessidade de imposição

de medias extra mais curas e coercivas", uma vez que há mais

receita fiscal.

Diário de Notícias
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