A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) defende mais testes, quarentenas, vacinas e transportes públicos para combater a pandemia num momento em que Portugal surge como o país do mundo com maior número de novos casos de covid-19 por milhão de habitantes, e o governo faz antecipar maiores restrições no confinamento com reunião extraordinária de Conselho de Ministros nesta segunda-feira.
"Os confinamentos têm de ser mais racionais, mais inteligentes. Não podemos fazer confinamentos extremados sob pena de causar grandes constrangimentos a toda a gente. Entendemos que é possível testar mais, vacinar mais e isolar em quarentena as pessoas que, nos testes, resultem contaminadas", defendeu hoje Rafael Campos Pereira, vice-presidente da organização, na apresentação daquelas que são as expetativas das empresas até março.
A CIP apela também a um reforço nas carreiras de transportes públicos. "O governo diz que a razão de 87% dos contágios não é conhecida. Se essa é uma verdade, também é difícil de acreditar, do ponto de vista científico e com grande credibilidade, que os transportes públicos não estejam na origem de alguns desses 87%", considerou o dirigente.
"Não temos dúvidas de que é preciso fazer alguma coisa, mas também não temos dúvidas de que não se pode matar a economia", entende a organização, que hoje apresentou os resultados do último estudo Sinais Vitais, inquérito destinado a tirar o pulso às empresas.
Nos dados divulgados, uma maioria de negócios, 37%, considera insuficientes as medidas do governo para conter a pandemia, havendo por outro lado 21% que as consideram demasiado restritivas. Outras 30% entendem que as medidas são adequadas, com 12% das empresas inquiridas a manifestar-se sem opinião.
Neste que é o 12º inquérito da CIP desde o início da pandemia, as taxas de aprovação das medidas de apoio criadas dirigidas às empresas permanecem baixas. Para 83% dos empresários ouvidos, ficam "aquém" ou "muito aquém" do necessário. Já para 16%, os apoios estão à altura das dificuldades, e para 1% superam mesmo as expetativas.