Banco de Portugal alerta para fraude com crédito fácil nas redes sociais

Banco central emitiu comunicado em que alerta para anúncios fraudulentos de concessão de crédito no Facebook, principalmente, e em que os "clientes nunca recebem os montantes de empréstimo solicitados".
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O Banco de Portugal alerta para perfis falsos criados nas redes, especialmente no Facebook, para alegadamente concederem aquilo a que chamam crédito fácil. Utilizam muitas vezes "o nome e a imagem de instituições financeiras autorizadas ou de pessoas singulares reconhecidas publicamente, credíveis, para gerar confiança nos potenciais clientes", pode ler-se no comunicado emitido esta segunda-feira.

"Normalmente, estas entidades afirmam conceder empréstimos, rapidamente, sem formalidades complexas, sem a prestação de garantias, com discrição e a todas as pessoas, mesmo àquelas que não conseguem obter crédito junto do sistema financeiro", alerta o banco central, que "tem tomado conhecimento de diversas situações em que pessoas coletivas ou singulares propõem ao público, através das redes sociais, em especial do Facebook, a suposta concessão de empréstimos".

O Banco de Portugal lembra que no seu site é possível consultar a lista de instituições registadas e que por isso estão habilitadas a exercer atividade financeira em Portugal. Os clientes devem consultar previamente esta informação "antes de contratarem quaisquer empréstimos ou entregarem quaisquer quantias no âmbito de possíveis contratos de financiamento". Em caso de dúvida, basta enviar e-mail para info@bportugal.pt.

De acordo com a informação recolhida pelo banco central, "os contactos com os clientes são estabelecidos, normalmente, através da publicitação, nomeadamente, no Facebook, de ofertas de concessão de crédito a pessoas que necessitam com urgência de 'liquidez'." Nos anúncios, muitas vezes é usada "indevidamente" a imagem de instituições ou de pessoas credíveis para melhor convencer os clientes.

Depois de captarem a atenção de supostos clientes, segue-se normalmente uma conversa através do Messenger, do Whatsapp, ou por e-mail ou telefone - "muitas vezes com indicativo estrangeiro", o que é mais um sinal de alerta - fornecidos para a obtenção de mais informações.

Para credibilizar o pedido, os clientes são levados a facultar informações pessoais - como nome completo, morada, número de identificação fiscal - e cópias de documentos - como um cartão de identificação, recibos de vencimento, entre outros.

"Após comunicar os termos do empréstimo, tais como o valor, os juros e o montante das prestações mensais - os quais são dados a conhecer em forma de texto ou através de supostos contratos, na sua maioria, falsificados -, estas entidades solicitam o adiantamento de uma verba para que o montante do empréstimo seja supostamente disponibilizado", prossegue o Banco de Portugal na explicação da forma de atuação. "Estes adiantamentos são, muitas vezes, classificados como 'pagamento de seguro', 'quantia necessária para libertação do crédito', 'taxa de transferência internacional' ou 'pagamento de impostos'."

E desta forma os cliente entregam uma primeira vez dinheiro, a troco de uma suposta concessão de crédito, seguindo-se, com frequência, novos pedidos de verbas com mais falsas justificações, recebendo o cliente por vezes "presumíveis comprovativos falsificados de transferências bancárias do montante do empréstimo solicitado".

"Os clientes veem-se envolvidos num contexto de sucessivos pedidos de fundos para desbloqueio do capital, que acreditam estar apenas dependente do pagamento dessas quantias", alerta o banco central. "Os clientes nunca recebem os montantes de empréstimo solicitados. Estas propostas de empréstimo configuram esquemas fraudulentos que visam a obtenção de um benefício ilegítimo por entidades não autorizadas a conceder empréstimos, as quais, de uma forma ardilosa, se aproveitam da situação de especial necessidade das pessoas."