Governo sobe para 4,90 euros o preço das refeições das cantinas do Estado

O aumento de 0,80 euros não é compensado pela atualização do subsídio de alimentação, critica a Fesap. Valores não eram revistos há mais de 10 anos.
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O governo propôs esta sexta-feira aos sindicatos da Administração Pública um aumento do preço de venda da refeição das cantinas do Estado dos atuais 4,10 euros para 4,90 euros. O secretário-geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (Fesap), José Abraão, critica a decisão em tempos de crise inflacionista, destacando que a subida em 0,43 euros do subsídio de alimentação não chega para compensar a atualização apresentada pelo executivo para o valor do menu.

"O preço de venda da refeição tipo a fornecer aos trabalhadores da Administração Pública nos refeitórios dos serviços e organismos da administração central e local, bem como dos institutos públicos que revistam a natureza de serviços personalizados ou de fundos públicos, é fixado em 4,90 euros, incluindo o imposto sobre o valor acrescentado", segundo a proposta do governo a que a Dinheiro Vivo teve acesso.

Os valores não eram atualizados há mais de 10 anos, desde 2012, contudo o dirigente sindical considera que "não é o tempo para atualizar o preço, numa altura em que a inflação é enorme e em que as pessoas têm cada vez menos dinheiro".

José Abraão lembrou que o subsídio de alimentação dos trabalhadores da administração pública foi aumentado "em apenas 43 cêntimos" este ano, para 5,20 euros, enquanto "a proposta de aumento do preço da refeição é de 80 cêntimos". Ou seja, "o aumento do subsídio de refeição fica aquém da subida proposta para o valor da refeição", vincou, ainda que o valor do apoio à alimentação seja superior.

A proposta do governo, apresentada aos sindicatos nas reuniões desta sexta-feira com a secretária de Estado da Administração Pública, Inês Ramires, fixa também o preço de venda das refeições a pagar pelos reformados do Estado e pelos viúvos de funcionários públicos em 2,45 euros, o que corresponde a uma subida de 0,40 euros face aos 2,05 euros praticados atualmente.

Segundo José Abraão, na reunião o governo informou que os serviços sociais da Administração Pública servem por ano 635 mil refeições, o que significa que o aumento em 0,80 euros da refeição para os trabalhadores dará cerca de 500 mil euros por ano, "um valor que o Estado ou os serviços deviam suportar numa altura como esta".

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