EDP: O futuro passa pelo Perú, México e Moçambique

Nos próximos dois anos, o crescimento da EDP vai estar focado nas eólicas dos EUA. É lá que tem três parques em curso e cinco a entrar em obra, e ainda um pipeline de possíveis projetos, agora que vão ser fechadas quase metade das centrais a carvão. Mas como diz o CEO do grupo, António Mexia, o importante no negócio é "diversificar o risco" e, por isso, é quase obrigatório ter outros projetos e estar noutras geografias. Um trabalho que já começou a fazer, mesmo que só ganhe forma após 2017.
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Em cima da mesa estão principalmente as barragens "na América Latina e em África, em países como o Perú e Moçambique, e talvez a Ásia". Mercados e projetos a desenvolver através da Global Hydro, empresa detida em partes iguais com a China Three Gorges - principal acionista da EDP após a privatização de 2011 - e cujo objetivo é "desenvolver projetos hídricos".

Mas há mais geografias na lista, agora com as eólicas, que continuam a ser a grande aposta da EDP. É o caso do Canadá e do México, onde a elétrica já tem dois parques em construção, mas também da Europa, onde tem estado menos ativa nos últimos anos, mas onde "há um enorme potencial", disse Mexia. "Se a Europa quiser atingir os objetivos de renováveis de 2020 ainda há muito para fazer. França só atingiu dois terços do exigido e Inglaterra fez pouco mais de um terço", comentou ao Dinheiro Vivo, numa viagem aos EUA.

A estes países junta-se o Brasil, onde a EDP já está bem consolidada com eólicas e barragens em operação e em construção, inclusive uma da Global Hydro.

"Uma das grandes dificuldades de crescer hoje nas utilities é que a procura está em mercados onde as políticas de enquadramento legal e regulatório e de fiscalidade são muito difíceis de resolver", disse Mexia. É por isso que "na América Latina se começa pelo Brasil, que tem um enquadramento mais estável e é por isso que estamos a olhar para o Perú, porque tem um enquadramento semelhante", acrescentou o gestor.

Na prática, disse, o que a EDP procura são mercados onde possa ter "projetos que tenham condições contratuais de longo prazo, mais ou menos como nos EUA".

Isto explica bem a decisão da EDP ao comprar a norte-americana Horizon Wind Energy em 2007 e, consequentemente, tornar-se na terceira maior empresa de eólicas do mundo e focar o seu crescimento neste negócio. Nos EUA, não só existem apoios fiscais e governamentais ao desenvolvimento de parques, como os contratos de venda da eletricidade produzida nos parques eólicos têm um preço fixo por um período de cerca de 20 anos. E neste negócio, diz o CEO da Renováveis, João Manso Neto, o que conta é a "previsibilidade", ou seja, saber exactamente o dinheiro que se vai ganhar para saber quanto se pode investir sem recorrer a dívida.

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