EDP Renováveis investe 600 milhões nos EUA este ano

A EDP Renováveis vai investir perto de 600 milhões de euros nos Estados Unidos só este ano. As contas são do presidente executivo (CEO) da empresa, João Manso Neto, e dizem respeito a três parques eólicos de 400 MW de capacidade instalada total e assumindo um custo de 1,4 euros por cada MW que se constrói.
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Quer isto dizer que, tendo por base este preço, a empresa deverá aplicar, no próximo ano, cerca de 670 milhões de euros na construção de mais três parques de 478 MW de capacidade total e ainda mais 252 a 275 milhões no desenvolvimento do projeto no México, o primeiro da empresa e que poderá ter entre 180 a 197 MW. Em 2017, quando termina o plano de negócios atualmente em vigor, o investimento será de cerca de 111 milhões de euros.

Ou seja, no total, a Renováveis poderá gastar 1,6 mil milhões de euros só neste mercado, mostrando que é o principal motor de crescimento da empresa. Sem ser nos EUA, a EDPR tem apenas um projeto de 120 MW no Brasil e quatro pequenos de um total de 82 MW na Europa.

A empresa que ganhou mais acordos de venda

A grande vantagem é que, os oito parques em desenvolvimento nos EUA têm todos acordos de venda de energia a um preço fixo e por um período também fixo que costuma ser de 20 ou mais anos. São os chamados PPA, uma modalidade construção na qual a Renováveis diz ter sido líder o ano passado, ao angariar 1,4 GW de novos parques com um valor de venda de energia de 48 dólares por MWh produzido.

A isto, diz Manso Neto, é preciso juntar ainda os 23 dólares por MWh referentes a um incentivo do Governo às eólicas, ou seja, um valor global bem acima dos 37 dólares por MWh que se recebe em média pela venda de energia renovável nos EUA.

Contudo, para o gestor, mais importante que os apoios do Governo - que estão previstos terminar em 2016, ainda que haja eleições este ano - a chave para desenvolver parques eólicos são os PPA ou modalidades semelhantes. E não é só nos EUA. "Nós não precisamos de subsídios, precisamos de previsibilidade, de fixar um preço", disse num encontro com jornalistas na sede da EDP Renováveis nos EUA, em Houston, no Texas.

Nos parques que a empresa tem onde não existe esta modalidade, não só nos EUA, mas em todas as geografias onde está presente, incluindo em Portugal, o preço nunca é fixo e há ocasiões em que as empresas podem não receber nada ou mesmo estar a pagar para produzir. Nestes casos, a energia é colocada numa espécie de bolsa de MWh onde se vende e compra eletricidade consoante o consumo e onde os valores sobem se se consome mais e baixam se se estiver a consumir menos.

Segundo explicou o responsável da EDPR nos EUA, Gabriel Alonso, por exemplo, se houver um apagão e uma necessidade imediata muito grande de energia ou em cidades como Nova Orleães e Nova Iorque - onde, por acaso a empresa não tem projetos - o consumo é tanto que os preços podem chegar aos mil dólares por MWh. Já nas zonas menos populosas, o preço pode descer a zero ou mesmo valores negativos e, neste caso, a empresa não está a receber dinheiro pelo investimento que fez e pela energia que está a produzir e a ser consumida.

Ora, conseguindo os tais PPA, a EDPR já não tem que se preocupar tanto em escolher locais com mais consumo.

Novos parques na California, Kansas ou Texas

Os parques a construir este ano - dois de 100 MW cada e mais um de 200 MW - serão localizados, respetivamente, nos estados da California, Oklahoma e Kansas.

Segundo Gabriel Alonso, o Kansas e o Oklahoma são dos dos estados com melhor capacidade eólica, ou seja, tem mais e melhor vento, e são por isso uma aposta da empresa. Aliás, diz Manso Neto, esta zona tem uma capacidade de produção tão favorável que consegue-se investir menos e ter a mesma rentabilidade, mesmo com contratos de venda de energia com preços mais baixos. Já na Califórnia, há menos vento, mas é compensado com os preços mais altos dos contratos.

Os projetos a concluir em 2016 e 2017 ficam no Texas, Nova Iorque e Maine, também estados com boa qualidade de vento. E há ainda um no México que, apesar de não ser nos EUA, foi um contrato conseguido através da EDPR nos EUA. Aliás, já desde que compraram a Horizon Wind Energy em 2007 que o CEO do grupo EDP, António Mexia, disse que os EUA seriam uma rampa de lançamento para chegar ao México e outros pontos da América Latina.

O primeiro já está, com um contrato assinado em finais de abril do ano passado com uma empresa mineira, a Indústrias Penoles, e o segundo está em análise, mas só acontecerá após 2017, segundo disse Manso Neto no inicio de maio na apresentação das contas do trimestre.

Contratos com empresas privadas

O contrato com a Indústrias Penoles foi o primeiro acordo que a EDPR nos EUA fechou diretamente com uma empresa privada que não é uma distribuidora de eletricidade. Ou seja, vai fazer um parque que vende exclusivamente para as necessidades daquela entidade e na mesma com um PPA.

Esta modalidade foi, já este ano, replicada nos EUA, num parque "de poucos MW a sul do Texas" com um contrato com a Home Depot, uma marca de lojas de bricolage semelhante ao Ikea ou à Leroy Merlin. E segundo Manso Neto é uma estratégia para continuar, até porque têm havido muitas empresas, como a Google ou a Walmart a apostar neste tipo de investimento devido à dimensão das suas necessidades de eletricidade.

*Em Houston, nos EUA, a convite da EDP

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