João Costa Pinto, coordenador do relatório 'secreto' sobre a atuação do Banco de Portugal no processo de resolução do BES, considera que deveria ter havido uma intervenção "mais enérgica e mais cedo" no grupo por parte do supervisor.
Mas salientou que "uma atuação sobre este grupo não se podia limitar a ser uma intervenção ao nivel técnico, de supervisão", dada a dimensão do BES e a sua importância para o sistema financeiro português.
Para Costa Pinto, teria de se ter evitado que o BES se tornasse "um risco sistémico" para o sistema financeiro português com uma intervenção "mais enérgica". Mas para este tipo de intervenção "ser conduzida tinha que ter uma componente política".
Costa Pinto salientou que este facto não isenta de responsabilidades o Banco de Portugal na queda do BES.
O ex-presidente do conselho de Auditoria do Banco de Portugal, que foi o responsável pela comissão independente que elaborou o relatório 'secreto' sobre a atuação do supervisor no processo de resolução do BES, está esta quarta-feira a ser ouvido na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.
Costa Pinto destacou que existiam diversos riscos no BES, nomeadamente o facto de haver uma "dependência quase total" da "vertente não financeira" do grupo face à "vertente financeira", havendo um problema financeiro de origem "estrutural" e não "conjuntural". Estas fragilidades eram agravadas por as duas áreas terem os mesmos administradores. Acresce que a supervisão era dificultada pela holding do grupo estar sedeada no Luxemburgo.
Costa Pinto frisou que foi perdida uma oportunidade de atuação atempada no BES aquando da entrada da 'troika' em Portugal. Apontou que o relatório 'secreto' "fala numa sucessão de momentos" em que houve oportunidade para intervir no grupo.
Esta Comissão Eventual de Inquérito foi criada no dia 15 de dezembro de 2020 e surgiu na sequência das propostas para a sua constituição do BE, PS e Iniciativa Liberal.
Atualizada às 12H13 com mais informação