Inflação e financiamento são as principais preocupações das PME ibero-americanas

Estudo realizado junto de 2274 Pequenas e Médias Empresas (PME) ibero-americanas, provenientes de 22 países, revela que, apesar da elevada inflação e da falta de financiamento preocuparem os líderes das companhias, mais de metade dos gestores acreditam que o cenário vai melhorar no espaço de um ano.
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A inflação e a falta de financiamento estão, respetivamente, no topo das preocupações de 45,6% e 19,5% dos gestores das Pequenas e Médias Empresas (MPME) ibero-americanas, apontam os resultados de um inquérito realizado a 2274 companhias de 22 países da América Latina e Península Ibérica, onde estão representadas 217 empresas de Portugal, 189 de Espanha e 93 do Brasil.

"Perante os cenários globais de crise nas cadeias de abastecimento e inflação crescente, as empresas ibero-americanas não são exceção e a inflação está no topo das suas preocupações", referem os autores do estudo. Quanto à questão do financiamento, 64% das PME em análise fazem-no através de fundos próprios, enquanto 14% recorrem a empréstimos bancários e 7% a amigos e familiares.

A apresentação do documento ocorreu esta terça-feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, durante o V Fórum Ibero-Americano das Pequenas e Médias Empresas, promovido pela Secretaria-Geral Ibero-Americana, Federação Ibero-Americana de Jovens Empresários (FIJE) e Conselho de Empresários Ibero-Americanos (CEIB). Entre outros, marcaram presença no evento o ministro da Economia, António Costa Silva, e o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva.

Apesar deste cenário, a maioria das companhias, mais de 50%, em concreto, diz-se otimista relativamente ao futuro dos seus negócios - 59,3% dos líderes acreditam mesmo que a sua situação irá melhorar no espaço de um ano. Esta é uma tendência que se mantém na maioria dos setores, com exceção da Construção (43,5%) e da Indústria Mineira (47,4%).

"Embora o otimismo diminua quando pensam no futuro dos seus países, as perceções permitem-nos imaginar uma predisposição para o investimento e a produção", destaca o relatório.

No seu conjunto, as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) representam 98% do número total de companhias e empregam cerca de 67% do número total de trabalhadores na América Latina, números que se assemelham aos de Portugal e Espanha, de acordo com o secretário-geral ibero-americano, Andrés Allamand.

Contudo, é no peso económico das MPME que as estatísticas de ambos os lados do Atlântico divergem. Enquanto na Península Ibérica a atividade destas empresas representa mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) total, este valor cai para 25% nos países latino-americanos, nos quais apenas 10% dos negócios exportam, uma percentagem distante dos 40% da média europeia.

Considerando a globalidade de PME inquiridas no "Questionário Ibero-Americano das PME: apostar nas micro, pequenas e médias empresas para o crescimento e prosperidade", apenas 35,6% exportaram os seus produtos, em comparação com 64,4% que ainda não o fez ou não tenciona fazê-lo.

As razões para estas companhias não terem iniciado procedimentos de exportação são variadas: 20,2% considera que o seu negócio não tem produtos ou serviços exportáveis, 17,8% não o faz por falta de recursos financeiros e 17,5% está interessada, mas não sabe como fazê-lo.

Em termos do volume de negócios, para mais de metade das empresas que exportam, essas vendas representam menos de 25% das suas receitas totais. "Podemos indicar que, para a maioria das empresas inquiridas, as exportações ainda estão longe de desempenhar um papel central na sua atividade", dizem os autores.

Para a maioria das PME inquiridas no estudo, o mercado nacional continua a ser o seu objetivo prioritário.

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