O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, sustentou esta terça-feira perante os trabalhadores e administração da tecnológica EID que a manutenção de 20% no capital da empresa defende melhor os interesses nacionais do que o projeto do anterior Executivo.
Descrevendo as negociações com a Cohort como "muitas vezes duras mas sempre competentes e leais", Azeredo Lopes considerou que o Governo português também "defendeu bravamente" os interesses que representava "na defesa do interesse público".
Intervindo perante os trabalhadores da EID, empresa especializada em sistemas de comunicações militares, sediada em Lazarim, Caparica, Azeredo Lopes frisou que logo que tomou posse, em 2015, declarou a intenção de "propor uma nova abordagem" à Cohort, visando reverter a intenção do executivo anterior de vender a totalidade da empresa.
Em 2014, o governo anterior (PSD/CDS-PP) decidiu alienar a totalidade da EID, mas o atual executivo quis renegociar para manter uma participação pública na empresa. As negociações terminaram sexta-feira passada e a Cohort passa a deter 80% do capital social.
O Estado português 20% e "direitos especiais" como a designação de um membro do Conselho de Administração -- o almirante Macieira Fragoso - a aprovação do plano estratégico da empresa e a autorização para eventual mudança de local de sede e de produção.
"A Cohort tem especiais qualificações na área tecnológica, e esse investimento em Portugal é uma vantagem. Acredito da mesma maneira que independentemente da preservação do interesse publico que aqui vim anunciar há vantagens para a Cohort", declarou Azeredo Lopes.
Para o ministro, "este negócio é melhor para a empresa" por ter "um formato mais dinâmico e mais interessante do que o que estava a ser desenhado", sendo ainda "mais benéfico também para os trabalhadores porque tem dois olhares atentos".
Por seu lado, Andrew Thomas, administrador executivo da Cohort, afirmou que a negociação do acordo "foi mais complexo do que estava à espera" mas "acabou por valer a pena".
O administrador disse que o objetivo da Cohort será "garantir a estabilidade" da EID e, ao mesmo tempo, procurar "oportunidades para crescer" numa área em que a EID "é líder e fornecedor de sistemas de comunicações navais e militares".