Navigator fecha acordo com P2X Europe para produção de combustível verde para a aviação

P2X Portugal é o nome da joint venture com a alemã P2X Europe para desenvolver uma unidade de produção, em larga escala, de combustível a partir de hidrogénio e dióxido de carbono biogénico para o setor da aviação.
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A Navigator e alemã P2X Europe vão criar uma joint venture para desenvolver uma unidade industrial dedicada à produção de combustíveis "verdes" para o setor da aviação, foi esta quinta-feira anunciado. Este projeto envolve um investimento inicial de até 600 milhões de euros. As operações comerciais deverão arrancar no primeiro semestre de 2026.

"A The Navigator Company e a empresa alemã P2X Europe celebraram um acordo de princípio para a criação de uma joint venture - a P2X Portugal - para desenvolver uma unidade industrial de última geração para produzir, em larga escala, combustíveis não fósseis para o setor da aviação, também conhecidos como e-SAFs (e-Sustainable Aviation Fuels) - jet-fuel (querosene) sintético, neutro em carbono, produzido a partir de hidrogénio verde e CO2 biogénico", lê-se no comunicado veiculado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A P2X Portugal ficará instalada no complexo industrial da Navigator na Figueira da Foz, Coimbra, sendo que o projeto a desenvolver - Power-to-Liquids (PtL) - recebeu o estatuto de Projeto de Interesse Nacional (PIN). A Navigator e a P2X Europe justificam a classificação concedida pelo governo pela "força, maturidade e qualidade global" que o projeto promete.

"Marca um passo fundamental para Portugal e para a Europa no caminho para a construção de um ecossistema totalmente integrado de produção de combustíveis verdes", lê-se.

O projeto PtL terá duas primeiras fases de desenvolvimento, cujo investimento totalizará entre cerca de 550 a 600 milhões de euros, de acordo com o comunicado. As duas fases contemplam a "instalação de produção de hidrogénio verde, a infraestrutura e o processo de captura de dióxido de carbono biogénico, e na capacidade de produção de 40.000 toneladas por ano de crude e combustível sintético".

Ainda que estes planos estejam sujeitos ao cumprimento de obrigações, e aguardem uma decisão final de investimento (o que acontecerá até 2023), a joint venture "tem programado iniciar a operação comercial já no primeiro semestre de 2026".

Apesar do 'Ok' do Estado português, a P2X Portugal ainda está em processo de obtenção de autorização de Bruxelas. É que além da joint venture ter de garantir "disponibilidade de energia renovável a preços competitivos (tipicamente eólica e solar)", que há um "adequado enquadramento regulatório para a produção de hidrogénio verde, a definir no EU Delegated Act atualmente em discussão em Bruxelas", bem como "acordos de off-take satisfatórios com companhias aéreas de referência", há que assegurar, sobretudo, "incentivos adequados ao investimento proporcionados pela União Europeia e pelo governo Português", com o projeto a aguardar "autorização das autoridades anti-trust da União Europeia".

Esta joint venture reúne uma empresa de referência nacional no setor da pasta e do papel e outra empresa alemã criada para criar portefólio para produção de hidrogénio renovável e combustíveis verdes sintéticos em diferentes setores económicos.

Do lado da papeleira, o PtL beneficiará "da elevada competitividade de Portugal na produção de energia renovável (solar e eólica) e do CO2 biogénico gerado pelas biorrefinarias da Navigator". As biorrefinarias da Navigator fornecem "os dois elementos críticos para o sucesso da produção à escala industrial de jet-fuels sintéticos neutros em carbono".

Do lado da P2X Europe, que se diz "precursora no desenvolvimento deste tipo de projetos a nível internacional," é expectável retirar proveito da experiência da empresa enquanto "experiente trader de combustíveis líquidos".

A P2X Portugal reúne empresas com conhecimentos em tecnologia e engenharia e "integra toda a cadeia de valor do processo, composto por captura de carbono de até 280.000 toneladas de dióxido de carbono biogénico e várias centenas de megawatts de nova energia renovável". Pretende-se que o projeto venha a atingir "uma capacidade total de produção de eFuel (eSAF) de 80.000 toneladas em ano cruzeiro, assim que totalmente desenvolvido, permitindo reduzir as emissões anuais de carbono em até 280.000 toneladas".

A P2X Europe é detida pelo grupo Mabanaft e pelo grupo H&R, "dois pesos pesados ​​corporativos familiares alemães com sede em Hamburgo, abrangendo produtos químicos, farmacêuticos, comércio e refinação de petróleo". Com sede em Hamburgo, a P2X Europe desenvolve, constrói e investe em projetos deste tipo, verticalmente integrados para produção de soluções de combustíveis líquidos sintéticos, neutros em carbono.

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