Defined.ai focada nos EUA. "Disrupção política" relega Portugal à casa de partida no tabuleiro IA

Empresa lidera consórcio nacional que já começou a dar frutos. DIANA é o primeiro chatbot criado com fundos do PRR, mas o objetivo passa por levar produto para o mercado norte-americano. Daniela Braga acredita que há obstáculos na Europa à IA que retiram interesse.
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A fundadora e presidente executiva da Defined.ai, Daniela Braga, esteve há um mês na Web Summit a apresentar a DIANA, a primeira assistente virtual em Inteligência Artificial (IA) conversacional capaz de compreender língua portuguesa de Portugal, desenvolvida para o Estado português pelo consórcio Accelerat.ai. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Daniela Braga mostrou-se pessimista com o desenvolvimento da IA em Portugal - aliás, uma das promessas do referido consórcio está longe de se cumprir - e na Europa. O foco está, por isso, no mercado norte-americano, tanto que o avatar DIANA será levado para os Estados Unidos (EUA).

"A Defined.ai está em grande crescimento", afirma Daniela Braga, embora não detalhe números. E realça que nesta trajetória de crescimento procurou desenvolver o negócio na Europa, no último ano. Contudo, considera que o ambiente tecnológico no Velho Continente não justifica, atualmente, o esforço e, por isso, a empresa está "a reforçar tudo nos EUA, porque o mercado está lá".

A estratégia gizada para a Europa incluía o Accelarat.ai. O consórcio anunciado em novembro de 2022 é liderado pela empresa de Daniela Braga e inclui instituições como a Faculdade de Ciências de Lisboa e o Instituto Superior Técnico, a NOS, a Desco, assim como a IBM e a Microsoft como parceiros tecnológicos. Ao projeto foram atribuídos 34,5 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com 75% da verba a vir do Estado português. Em troca desse apoio, o consórcio comprometeu-se a criar 150 postos trabalhos e a colocar Portugal no mapa da IA em três anos. O primeiro resultado foi a DIANA, que é expansível a aplicações a desenvolver com diferentes graus de escalabilidade e uso. A DIANA, todavia, terá sido um parto difícil, desde logo pela falta de angariar talento, algo que Daniela Braga justifica pelo facto das universidades "não conseguirem acompanhar" o avanço da IA e do "bom talento" que saiu de Portugal ser "difícil" de convencer a voltar ao país.

Daniela Braga garante que não desiste deste projeto e de Portugal, mas a ideia será levar o trabalho produzido para os EUA, considerando que "a Europa fica muito entusiasmada com uma tecnologia, mas depois tem problemas de integração, não dá esse passo agilmente". Conclusão? "Não está ainda preparada", afirma.

E Portugal também não está? "O Governo fez um trabalho espetacular aquando do PRR, porque, ao contrário de outros governos europeus, fez um concurso de ideias", refere. Não obstante, o país tem um problema de escala e a atual "disrupção política" deverá interromper muitas das iniciativas que deveriam alavancar a IA no país. Daniela Braga acredita que o futuro governo "continue" na senda da IA "por uma questão de estratégia nacional", referindo que o parco desenvolvimento da IA "não é um problema de Portugal, é um problema europeu". Tudo, segundo a gestora, porque não há investimentos fortes e direcionados, além da forte regulação sem haver ainda exploração. "A Europa devia federar-se nesse sentido", argumenta.

Há um ano, a CEO da Defined.ai dizia que a Europa estava dez mil milhões de euros e dez anos atrasada face ao mercado norte-americano. E agora? "Essa diferença aumentou exponencialmente porque falta investimento", responde, apontando que existe uma "questão cultural" europeia, burocracia e "muitas guerra políticas" a limitar a IA.

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