O segundo trimestre de 2022 foi desastroso para a venda mundial de computadores, que afundou 15,3% num cenário de incerteza macroeconómica, deterioração geopolítica e problemas logísticos na China.
Os números que a IDC acaba de divulgar indicam que foram vendidos 71,3 milhões de unidades no trimestre findo a 30 de junho. É a segunda quebra consecutiva de vendas depois de dois anos de crescimento imparável, no pico da pandemia de covid-19.
"Os receios de uma recessão continuam a acumular-se e estão a enfraquecer a procura em todos os segmentos", explicou o analista Jitesh Ubrani. "A procura de computadores de consumo abrandou no curto prazo e está em perigo no longo prazo, uma vez que os consumidores estão a ficar mais cautelosos quanto aos seus gastos e uma vez mais acostumados a usar diferentes dispositivos, como smartphones e tablets."
Ubrani frisou que o segmento comercial tem tido um desempenho "mais robusto", embora também se registe um abrandamento porque as empresas estão a adiar decisões de compra.
Os chineses da Lenovo mantiveram-se no topo do mercado, pese embora o recuo de 12,1% das vendas. Terminaram o período com 24,6% de quota de mercado.
Na segunda posição continuaram os norte-americanos da HP, cuja quebra foi a mais pesada do top - 27,6%. A quota passou de 22,1% em 2021 para 18,9% neste período.
Também a Dell caiu, mas menos (5,3%). A terceira maior fabricante melhorou a sua quota para 18,5%.
A quarta posição, que antes era da Apple, passou para as mãos da Acer, agora com 6,9% apesar de uma derrapagem de 19,2%. Mas é que a Apple ainda caiu mais: as vendas derraparam 22,5%, o que atirou a marca para a quinta posição (6,7%).
O top fechou com a Asus (6,6%).
Uma nota importante olhando para estes números é que o volume de vendas continua a estar acima do que era registado antes da pandemia. Ou seja, mesmo com um declínio, ainda se estão comprar mais computadores que pré-2020. As vendas no trimestre homólogo de 2018 foram de 62,1 milhões de unidades e no mesmo período de 2019 65,1 milhões.
Feitas as contas, o próximo trimestre não deverá ser muito melhor. As pressões mantêm-se inalteradas: guerra na Ucrânia, problemas na cadeia de fornecimento, inflação elevada, instabilidade energética na Europa, enfraquecimento do euro, receio de entrada em recessão.
A analista Neha Mahajan considera que os próximos três meses produzirão mais uma quebra a dois dígitos. O apetite por computadores para educação está a saturar e a procura de consumo a estagnar, permanecendo apenas alguns nichos em que há procura por PC Windows de baixa gama.