Hipertensão arterial

Já afecta crianças e adolescentes e, tal como nos adultos, tem origem nos novos e maus hábitos alimentares, no excesso de peso e no estilo de vida sedentário. Para prevenir e tratar, basta fazer uma alimentação mais saudável, correr e brincar na rua, fazer caminhadas e jogos em família. Medicamentos só são precisos em casos muito raros. <br />
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Quando se fala em hipertensão arterial (HTA), fala-se do aumento da pressão do sangue nas paredes das artérias, uma alteração que está associada a várias complicações cardiovasculares e que, na maioria das situações, «resulta da interacção de factores genéticos mas também ambientais, como a adopção de estilos de vida pouco saudáveis, o excesso de peso, o sedentarismo e a ingestão de alimentos com altos teores de sal», explica Maria João Lima, coordenadora da consulta de hipertensão arterial, no Hospital de São João, no Porto. Em situações muito específicas e raras, acrescenta a médica, «há uma causa perfeitamente identificada e uma relação de causalidade bem estabelecida. Contudo, na grande maioria dos casos, encontramos uma conjugação de factores de risco cardiovascular na origem da manifestação da HTA».
Tal como sucede com os adultos, nas crianças e nos adolescentes a HTA também é muitas vezes assintomática: «Daí a importância de fazer a medição regular dos valores de pressão arterial nas crianças e nos jovens, todas as vezes que têm uma consulta com o seu médico assistente, o médico de família ou o pediatra.» Maria João Lima informa que «a detecção precoce da HTA nas crianças evita o aparecimento de complicações durante a infância, sobretudo renais e/ou cardíacas, e também na idade adulta».

Que fazer?
Nas crianças e nos adolescentes, tanto a prevenção como o tratamento da HTA se centram na adopção e manutenção de comportamentos e estilos de vida saudáveis: «Há que combater o excesso de peso, que deve ser proporcional à altura. Para o efeito, importa reduzir o consumo de alimentos hipercalóricos, com elevados teores de açúcar e sal, pois aumentam o peso e são prejudiciais à saúde.» Quanto aos hábitos de lazer actuais, Maria João Lima diz que constituem outro factor de risco: «As crianças não praticam exercício físico regularmente e passam pouco tempo a saltar, a correr e a fazer jogos e brincadeiras ao ar livre. A maioria está inactiva, passa horas em frente do monitor da televisão ou a jogar jogos electrónicos.» Por estas razões, e em nome da melhoria da saúde cardiovascular da população em geral, incluindo crianças, adolescentes e jovens, a médica declara guerra ao sedentarismo: «A inactividade física é uma das práticas a abater.»
A adopção e a manutenção de um estilo de vida activo faz bem a toda a gente, em todas as fases da vida: «É o tratamento mais importante da hipertensão arterial em todos os grupos etários», adianta a especialista. Quanto à toma de medicamentos, só em casos raros (situações de causa conhecida; se associada a outros sintomas, por exemplo dores de cabeça, vómitos e náuseas ou tiver impacte noutros órgãos, principalmente no coração ou no rim; se a dieta e a actividade física não forem suficientes só por si, etc.). Sendo assim, avança Maria João Lima, «é à família que compete ensinar as crianças a fazerem uma alimentação equilibrada». Até porque o que é bom para um faz bem a todos: a prática de exercício físico, por exemplo a caminhada ou a natação, entre outros, além de benéficos para a saúde propiciam boas vivências em família.
Quando necessário, «os pediatras, os médicos de família e os nutricionistas podem ajudar as crianças a aderirem a um programa de controlo do peso e da HTA. É para isso que estamos cá», adianta Rosa Maria Santos. A nutricionista do Hospital de São João abre o coração e pede às crianças e aos jovens que façam o mesmo quando falarem com um especialista em nutrição: «Podem e devem conversar abertamente connosco e as suas opiniões serão levadas muito a sério. Só depois de conquistarmos os jovens é que conseguimos a sua adesão a um regime alimentar saudável.»

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