Acaba de chegar a Portugal, promete um disruptivo ensino de "competências para o futuro" e abriu inscrições esta semana. Em 24 horas foram 630 os alunos inscritos no primeiro Centro TUMO a instalar-se em Portugal, disse ao Dinheiro Vivo o seu responsável, Pedro Santa-Clara, que conta expandi-lo pelo país e criar mais dez, "assim consigamos encontrar espaço e vontade de todas as instituições que se reúnem para oferecer este projeto".
Começando pelo início, afinal que projeto é este? "O TUMO é um centro de tecnologias criativas para jovens dos 12 aos 18 anos, que complementa a escola tradicional e no qual os alunos passam quatro horas por semana e vão desenvolver um portefólio de projetos em três áreas que eles escolhem de um universo de várias, que vão desde a música ao cinema, à animação, à programação, à robótica, ao desenvolvimento de jogos... etc.."
Pedro Santa-Clara acrescenta ainda que toda esta aprendizagem é feita com um modelo muito inovador, "onde são os alunos que tomam a responsabilidade da sua própria aprendizagem e iniciativa e é muito baseada em projetos e na colaboração entre pares", um pouco à imagem da escola 42 por ele lançada em Lisboa e no Porto para idades universitárias. Portanto, com autoaprendizagem, workshops e laboratórios, sempre acompanhados por coaches formados pela TUMO, a aprendizagem é feita ao ritmo e à medida do aluno e "com a mão na massa".
O projeto TUMO foi criado em 2011 na Arménia e está hoje já presente na Alemanha e na França. A sua missão é capacitar os jovens a lidar melhor com os desafios e oportunidades do mundo do trabalho e da vida em sociedade. Por isso, diz Pedro Santa-Clara, quando contactou a equipa da TUMO internacional não foi difícil convencê-los a trazer o projeto para Portugal, até porque já tinha provas dadas do que a sua equipa na Shaken - que tem posto em prática os seus projetos no país - é capaz.
"Talvez a maior preocupação do TUMO internacional fosse a capacidade de realização da equipa. No nosso caso, depois de ter feito o Campus da Nova SBE, depois de ter lançado a 42, acho que estava razoavelmente bem estabelecido e, portanto, foi uma conversa fácil."
Em Portugal, o primeiro Centro TUMO vai começar a funcionar no icónico edifício dos Correios, Telefones e Telégrafo em Coimbra, já no início do próximo ano letivo. Porquê nesta cidade? "Porque em Coimbra encontrámos uma câmara com a vontade de fazer o projeto, encontrámos um edifício extraordinário, que era a Central dos Correios de Coimbra, que nos é cedido gratuitamente pela Altice, e depois um conjunto de empresas e de fundações, que vão desde a Critical Software, aos fundadores da Feedzai, do Licor Beirão, à Oxy Capital, do BPI - Fundação La Caixa, Fundação Santander e a Fundação Gulbenkian, que em conjunto financiam este projeto para esta cidade", explicou Pedro Santa-Clara.
A capital é a próxima paragem na calha. "No próximo ano, contamos abrir em Lisboa, ainda não está nada fechado. E as coisas vão depender um bocadinho também da iniciativa local, da vontade que diferentes cidades tenham de nos abordar para desenvolver este projeto."
A abertura em Coimbra marca o início de uma campanha de expansão de centros TUMO por todo o território nacional. O plano é que sejam dez. Diz Pedro Santa-Clara que, "em termos de investimento, o bolo todo é da ordem de sete milhões de euros para os primeiros cinco anos" de instalação e funcionamento de cada Centro TUMO.
Com diversos parceiros envolvidos, o montante talvez não deva ser considerado avultado se se tiver em conta que a ambição de cada Centro TUMO é transformar uma geração. Como diz a organização: "Existe uma necessidade estrutural de qualificar a próxima geração para a nova sociedade e para a economia digital. O acesso à educação não-formal nas áreas STEAM [Ciência (em inglês), Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática] é tipicamente limitado a alguns alunos por meio de aulas particulares. A oferta gratuita promove a igualdade de oportunidades."
E é precisamente isso que faz o TUMO, com aulas extracurriculares, descomplicadas e acessíveis, inteiramente gratuitas, que geram um impacto imediato e alargado.
As inscrições estão abertas no site do centr, e são aceites por ordem de chegada, por isso, é bom que os interessados se apressem. Até porque os cerca de 2000m2 do edifício dão apenas para cerca de 1500 alunos em cada fornada.