O antigo diretor do Fundo Monetário Internacional, Carlo Cottarelli, poderá ser o escolhido pelo presidente italiano, Sergio Mattarella, para liderar um governo provisório em Itália até à marcação de uma nova eleição. Isto depois de o partido anti-imigração Liga e o eurocético Movimento 5 Estrelas terem desistido de formar governo em protesto pelo chumbo do presidente ao nome escolhido para a pasta das Finanças.
A coligação liderada por Giuseppe Conte queria Paolo Savona, um economista anti-euro, para liderar as Finanças. A decisão aumentou o nervosismo nos mercados financeiros, com a bolsa e os juros do país a serem penalizados na semana passada. Esse foi um dos argumentos utilizados por Mattarella para travar a escolha de Paolo Savona.
“A permanência no euro é uma escolha fundamental. Se queremos discuti-la, devemos fazê-lo de forma séria”, disse o presidente num discurso televisivo citado pela Reuters. Salientou que “a incerteza sobre a nossa posição alarmou os investidores e os aforradores tanto em Itália como no estrangeiro”.
A Moody’s, por exemplo, colocou o rating de Itália sob vigilância negativa na passada sexta-feira devido aos riscos para as finanças públicas da coligação liderada por Giuseppe Conte. A agência avalia a qualidade de crédito do país em Baa2, dois níveis acima da categoria vista como lixo pelos mercados.
Investidores menos nervosos
O chumbo do presidente à escolha para as Finanças levou a coligação entre a Liga e o Movimento 5 Estrelas a desistir de formar governo, o que aparenta ter tranquilizado os investidores. A taxa das obrigações a dez anos interrompeu a tendência de subida dos últimos dias. Desce de 2,46% para 2,39%. E a bolsa de Milão recupera 0,64% depois de ter perdido mais de 7% em duas semanas.
O cenário que se afigura mais provável é ser constituído um governo apartidário. O presidente convocou Cottarelli para uma reunião, o que pode indiciar que o irá mandatar para formar governo, segundo a Reuters. Mas essa solução seria de curto prazo, já que sem apoio no parlamento o mais certo é serem convocadas novamente eleições.
A imprensa italiana aponta 9 de setembro como a data mais provável para novas eleições. Já Salvino exige novas eleições imediatamente e acusou o presidente de conspiração e o Movimento 5 estrelas pondera iniciar um processo para destituir Mattarella.