Falta de mão-de-obra qualificada limita crescimento das PME europeias

De uma questão setorial, o tema passou a ser o principal problema apontado por mais de metade das empresas na Europa, indica o Eurobarómetro divulgado pela Comissão Europeia
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A falta de mão-de-obra qualificada é a maior dificuldade sentida pelas pequenas e médias empresas (PME) europeias. Num estudo promovido pela Comissão Europeia, esta falta é apontada por 54% das PME inquiridas, seguida dos obstáculos regulatórios ou da carga administrativa, indicados por 34%, e das dificuldades de tesouraria, designadamente por atrasos de pagamentos,, apontados por 21% dos inquiridos. Os dados são do Eurobarómetro sobre a escassez de competências nas PME, que esta terça-feira foi publicado.

"A falta de trabalhadores qualificados começou por ser uma situação específica de alguns países e setores, mas hoje é um dos três maiores problemas identificados pelas pequenas e médias empresas. E que deverá piorar, à medida que a economia europeia recupera e população envelhece", diz Bonifácio Garcia Porras, chefe de unidade da Direção-Geral do Mercado Interno, Indústria, Empreendedorismo e PME da Comissão Europeia, para quem a questão vai colocar "pressão sobre a competitividade" das empresas, criando "riscos de encerramentos".

Bonifácio Garcia Porras falava aos jornalistas numa conferência de imprensa esta manhã no arranque de mais uma edição anual da Assembleia das PME que, este ano, decorre em Bilbau, numa organização da presidência espanhola do Conselho da União Europeia.

Além dos 27 Estados-membro da União Europeia, o estudo incluiu inquéritos na Islândia, Noruega, Suíça, Reino Unido, Macedónia do Norte, Turquia, Estados Unidos, Canadá e Japão. Foram auscultadas mais de 17 mil empresas, das quais 13 mil na União Europeia. Destas, quase 4 em cada 10 (38% especificamente) manifestaram que tiveram "grande dificuldade" em encontrar pessoal com as qualificações certas nos últimos 24 meses, a que se somam mais 24% que dizem terem tido "alguma dificuldade".

Um problema que é transversal a praticamente todo o tipo de empresas e de setores. Varia entre os 61% das micro, os 77% das pequenas e os 80% das médias empresas que apontam a falta de qualificação como um obstáculo na contratação de novos trabalhadores e os 85% das grandes empresas. Quanto a indústrias, destaque para os 86% do turismo, os 65% da fileira têxtil e os 67% da construção. No fim da tabela estão a indústria aeroespacial e de defesa, com 50%, a energia e as renováveis com 62% e as atividades digitais com 56% dos inquiridos.

Por Estado-membro, a Grécia ocupa a primeira posição com 77% das empresas a indicarem que tiveram dificuldade em contratar, seguida da Bulgária e de Malta. Portugal ocupa a 12ª posição entre os 27, com 62% das empresas a apontarem este problema: 40% como tendo sido "muito difícil" e 22% com "alguma dificuldade" na obtenção de mão-de-obra qualificada.

Os técnicos são os profissionais mais em falta em todos os setores industriais, mas como especial destaque no têxtil (70%), aeroespacial e defesa (62%) e da energia (55%). A fileira têxtil tem ainda grande falta de especialistas na área das vendas e do atendimento ao cliente (36%). No aeroespacial e na energia, são os especialistas em investigação e desenvolvimento que mais fazem falta, além dos técnicos. No ecossistema digital, é a falta de trabalhadores de IT que mais preocupa (32%), área também identificada pelas empresas de turismo (33%), aeroespacial (33%) e da Saúde (32%).

E qual é o resultado desta incapacidade das empresas em contratar novos trabalhadores? A sobrecarga de trabalho na equipa existente, indicam 48% das inquiridas, a perda de vendas (31%) e rentabilidade reduzida dos negócios e da produtividade, apontadas ambas por 25% das empresas.

Quanto à forma como tentam ultrapassar estas dificuldades, 14% das empresas tentaram contratar trabalhadores noutros países da União Europeia, em especial nos setores da Saúde, das energias renováveis e do turismo. Portugal é dos cinco países da UE que mais procura contratar dentro do mercado único, com 25% das empresas a fazê-lo. Mais só o Luxemburgo (49%), Áustria (40%), Malta (37%) e Países Baixos (36%).

* A jornalista viajou a convite da Comissão Europeia

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