O hub criativo do Beato, um dos mais recentes, completou a primeira de três fases. A revelação foi feita, na Web Summit por Gil Azevedo, diretor executivo da Startup Lisboa e da Unicorn Factory, em entrevista ao Dinheiro Vivo/TSF. Na prática, isso significa que 25% do espaço já está aberto. O executivo acrescentou ainda que a segunda fase - que está a decorrer - deverá estar completa no próximo ano. Quanto à terceira e última fase não há, para já, datas definidas.
O certo é que, no espaço já completo, estão já 15 empresas instaladas, a maioria delas com uma dimensão considerável. Gil Azevedo dá, inclusive, o exemplo da Claranet que tem lá a sua sede, assim como o centro de inovação da Sixt,
"O hub do Beato tem como objetivo ser o grande centro de inovação da cidade (Lisboa)", apontou Gil Azevedo, referindo que é transversal a todos os setores. A par disso, "estamos a tentar criar, na cidade, hubs verticais ou de setores específicos, que possam dar corpo e massa critica a estes setores e que Portugal possa ter aqui áreas muito fortes e relevantes a nível internacional".
Na prática, o que se pretende, a longo prazo, "é criar uma rede de inovação na cidade", por forma a que esta possa funcionar como "uma cidade de inovação". Uma área já identificada é a do Saldanha, "porque já temos lá o centro de inovação do Instituto Superior Técnico". O certo é que já está definido e lançado um projeto ligado ao gaming, sendo que, como referiu Gil Azevedo, mais projetos poderão surgir dentro da mesma área.
Questionado sobre mais localizações na cidade de Lisboa, o diretor executivo da Startup Lisboa e da Unicorn Factory referiu que Alvalade já começa a ser uma dessas zonas, "até porque já tem duas incubadores ligadas ao vertical do M3".
A isto há ainda a acrescentar o hub dedicado à economia azul, previsto para Pedrouços. No entanto, este terá uma dimensão diferente, "porque não será apenas um hub de inovação, mas sim todo um ecossistema ligado à economia do mar".
Neste momento, "temos quatro programas em curso", revelou Gil Azevedo. A incubação na Startup Lisboa, que é um programa que é contínuo e que tem quatro edições por ano; o programa em colaboração com a AstraZeneca para a aceleração de startups ligadas à descarbonização do setor da saúde; o Scaling Up que completou um ano de atividade - foram lançadas três edições com 23 scaleups selecionadas que estão numa fase de crescimento para fora de Portugal; e o Softlanding que, no último ano recebeu delegações de mais de 25 países. Quanto ao balanço do programa, este está "acima das expectativas face ao número que conseguimos atingir".
É certo que nos últimos tempos Portugal (e Lisboa) tem atraído muitas empresas, nomeadamente startups. Mas só isso não chega. Para que as mesmas permaneçam e constituam sede em território nacional ainda há, na opinião de Gil Azevedo, muito trabalho a fazer, nomeadamente das "entidades públicas por forma a criar as condições para que fiquem cá quando chegam a uma escala maior". Mas, acrescenta o executivo, já hoje beneficiamos do crescimento dessas empresas. E explica que mesmo que a sede não fique em Portugal, a criação de emprego e investimento é algo muito relevante.
O diretor executivo da Startup Lisboa e da Unicorn Factory dá o exemplo da Plio, um unicórnio dinamarquês que, há semanas, abriu em Lisboa um dos seus centros de operações. Começou há dois anos com duas pessoas e tem uma equipa de mais de 100 pessoas e "tem um escritório montado para 300 pessoas".
Questionado sobre a melhor forma de reter o talento, Gil Azevedo afirmou que a famosa Lei das Startups, criada no início do ano, foi um (bom) primeiro passo. Mas acrescentou que ainda não temos as condições suficientes para que uma empresa consiga crescer a uma escala global e manter aqui a sua sede.
Outra questão que tem de ser ultrapassada prende-se com a celeridade da justiça, nomeadamente com a simplificação da burocracia. "Temos de ser capazes de reduzir a nossa burocracia para sermos ágeis". Isto, porque este é um setor que vive essencialmente da agilidade e da eficiência. E inclui os apoios sociais, como o dar resposta à questão da habitação.