A Uniplaces vai colocar 35 trabalhadores em regime de lay-off em Portugal. A decisão foi comunicada esta semana aos funcionários desta plataforma de arrendamento a estudantes e várias publicações começaram a ser partilhadas nas redes sociais. Confrontada com essas publicações pelo Dinheiro Vivo, a Uniplaces confirmou o plano de reestruturação. A culpa é da forte quebra de receitas provocada pelos impactos do novo coronavírus.
"Como muitas empresas mundiais neste momento, tivemos de adaptar a nossa estrutura e os custos porque não sabemos quando é que este bloqueio vai acabar. Colocámos a maioria dos nossos funcionários [em Portugal] em lay-off. Isto é a melhor coisa a fazer porque precisamos de proteger os nossos trabalhadores e a tesouraria que temos no banco", destaca Cyril Jessua, presidente executivo da Uniplaces, em resposta por escrito.
Além de colocar funcionários em lay-off, a Uniplaces também decidiu que não vai renovar os contratos a prazo a oito funcionários e que "iriam terminar nas próximas semanas".
A empresa assegura, no entanto que "não há despedimentos" e que a ideia "não é enfraquecer a companhia mas sim adaptar-nos a uma situação única, em termos de volume de atividade e de custos".
A plataforma está a sentir fortes impactos por causa do novo coronavírus e o consequente encerramento das universidades e restrições de deslocação. "Tivemos uma quebra de 50% das receitas em março, na comparação com o mês homólogo do ano passado. Estamos em contacto com vários estudantes presos em cidades europeias e senhorios com quartos vazios ou cancelamentos de última hora por causa desta epidemia. Esta é uma situação única e tentamos fazer o nosso melhor."
Esses impactos são agravados porque 90% dos clientes arrendam um quarto ou um apartamento no país diferente do local de origem; e 70% dos clientes são estudantes.
As medidas desta empresa não ficaram por aqui: "diminuímos o nosso investimento em marketing para o segundo trimestre porque existe uma óbvia diminuição procura pelos nossos serviços nesta situação"
Assumindo-se como um negócio sazonal -"parte importante das nossas receitas são feitas com as reservas em setembro" - a Uniplaces "acredita fortemente que a vida não vai parar depois do bloqueio e que os estudantes internacionais vão querer viver uma experiência internacional no seu ciclo de estudos e que vão usar uma plataforma para reservar uma residência".
No âmbito do coronavírus, a Uniplaces já colocou à disposição mais de 150 locais para os profissionais de saúde poderem descansar e manterem-se isolados dos restantes familiares para prevenir o contágio.
Fundada em 2012, a Uniplaces já obteve mais de 30 milhões de euros em investimento externo e conta, por toda a Europa, com mais de 100 trabalhadores.