Web Summit com voo ida e volta Europa-América Latina

Ida da cimeira para o Rio de Janeiro permite a internacionalização em grande escala para startups portuguesas e brasileiras, que partem à conquista de cada um dos continentes.
Publicado a

A Web Summit está de malas feitas para voar até ao Rio de Janeiro em maio do próximo ano. O Brasil parece estar empenhado em fortalecer os laços com o país irmão, tendo tido na sétima edição da cimeira em Lisboa a maior participação de sempre, com 60 startups expostas e 20 participantes. A vontade daquele ecossistema é de se internacionalizar. E Portugal é o softlanding ideal para transitar para um mercado de maior escala: a Europa. Quem o diz é Renata Ramalhosa, CEO e cofundadora da Beta-i Brasil.

Com a ida do evento para o Brasil, é esperado que haja um movimento contrário, ou seja, que também os portugueses vejam no Brasil uma porta de entrada para a América Latina. "É bom que startups que venham à Web Summit Rio olhem para o país como um mercado de grande potencial, mas, sobretudo, que o vejam como uma oportunidade para um ecossistema mais aberto. Mais do que Portugal-Brasil, gostaria de pensar Europa-América Latina, com Lisboa e Rio de Janeiro como focos", diz a responsável.

Para a líder da empresa, o ecossistema brasileiro já merecia uma feira tecnológica como esta. Segundo a plataforma Startup Base, desenvolvida pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups), citada pela responsável, existem mais de 22 mil startups no país, espalhadas por 787 cidades.

"Há uma evolução exponencial da ambição do ecossistema. Apesar do desfasamento relativamente aos Estados Unidos e à China, o Brasil tem hoje mais unicórnios do que a Alemanha e a Inglaterra (17)", refere Renata Ramalhosa, notando que, embora o país tenha sofrido a nível económico nos últimos anos, há uma forte tentativa de regeneração - e esta área do empreendedorismo e da inovação "vai dar o boost necessário", acredita a CEO da Beta-i Brasil.

Os empreendedores pulverizam-se por todas as regiões, com uma maior predisposição para as verticais de edutech, que cresce a cada dia impulsionada pela necessidade de levar a educação a toda a população, healthtech (saúde), agritech (agricultura) e fintech (serviços financeiros).

Quanto ao cenário do investimento, "existe muita liquidez, tanto ao nível da comunidade de business angels, que são os grandes impulsionadores destas startups, como das venture capital e das corporate venture capital", isto é, grandes empresas que têm o seu próprio braço de investimento para apostar em projetos que estejam alinhados com a sua estratégia de negócio. Com capital abundante focado na inovação, o Brasil pode representar melhores oportunidades para as startups portuguesas que querem internacionalizar-se.

Mas as diferenças entre os ecossistemas brasileiro e português são visíveis. Enquanto Portugal foi "bem-sucedido" nas políticas de incentivo, tanto para os de dentro como para os de fora, o Brasil tem "um ambiente regulatório difícil" e é "preciso ser-se muito resiliente para se empreender", aponta Renata Ramalhosa. "Embora existam incentivos, os processos para se chegar até eles são muito complexos e morosos. Ter um quadro legal que reconhece as startups no tecido empresarial já foi um passo incrível, mas ainda há um caminho a percorrer."

Portugal poderá ser útil não só como exemplo, mas também para estar de mãos dadas, através de parcerias que façam de ambos os ecossistemas mais "ricos" e que tornem as trocas - de conhecimento, talento e empreendedores - cada vez mais fluidas.

Diário de Notícias
www.dn.pt