Cada empregado tem uma caneca com o seu nome na copa. A
reutilização começa aqui, nos bastidores da Fnac de Cascais, onde
os clientes não entram. Há caixas para recolha de pilhas, há
caixotes de separação de lixo e há cartazes gigantes a explicar os
benefícios de poupar o ambiente. Uma loja de eletrónica de consumo
não tem propriamente a reputação de ser ambientalmente
responsável, mas a verdade é que a Fnac do CascaiShopping venceu o
prémio de Sustentabilidade Ambiental atribuído pela Sonae Sierra, e
por arrasto reduziu drasticamente as despesas.
"Sabemos que, em dois anos, reduzimos em 8% o consumo de água
interna, 15% em eletricidade e 50% no consumo interno de papel e
tinteiros", avança Viriato Filipe, diretor de marketing e
comunicação institucional da Fnac. "Coisas tão simples como
sensibilizar para imprimir em frente e verso, não imprimir emails e
fazer apresentações digitais tiveram resultado", adianta. "É
agradável implementar uma ação que respeite o ambiente e
simultaneamente reduza os custos."
Dentro da loja, nos escritórios e armazéns a iluminação foi
toda substituída por luzes LED, com sensores de movimento fora do
espaço de contacto com o público. O investimento foi avultado, diz
o responsável, mas os resultados surpreenderam: em menos de dois
anos irão recuperar o montante, com uma redução de 15% na fatura
de eletricidade. O sistema de pilotagem do ar condicionado também
ajudou. "É uma caça ao desperdício em todas as áreas. Água,
eletricidade, nos próprios recursos das pessoas, deslocações",
resume Viriato Filipe. A própria administração passou a usar
vídeo-conferência para as reuniões, o que reduziu para metade as
deslocações mensais às várias lojas. Foram modificadas as
operações de entrega de produtos, para racionalizar os quilómetros
percorridos e o aprovisionamento das lojas, o que também se traduziu
em poupança no combustível. E a nível interno, todo o sistema de
contabilidade foi informatizado, a distribuição de informação
passou de correio em papel para online e a aprovação de faturas
deixou de ser em papel e assinatura e passou a ser digital com
palavra-passe.
O que a marca ainda não conseguiu fazer, tal como o resto do
mercado, foi acabar com os sacos de plástico. " São talvez o
elemento mais poluente para a Fnac", admite o responsável,
ressalvando que os sacos que usam já são feito de plástico
reciclado, mas não são biodegradáveis. "Queremos ser
responsáveis mas queremos continuar a ser rentáveis." A cadeia
eliminou dois tipos de sacos, os de grande formato e os de tamanho
CD. "O problema é o que os clientes fazem com os sacos, quando os
deitam para o lixo em vez de reencaminharem."
A educação ambiental, diz Viriato Filipe, é uma das questões
mais importantes. É na formação que serão gastos os 2500 euros
recebidos pelo prémio. "O mais importante é as pessoas terem
consciência do que fazem", diz. Em toda a loja do CascaiShopping
há caixas para a reciclagem de pilhas e tinteiros vazios. Quando a
Fnac entrega material novo, recolhe o velho e reencaminha-o para a
reciclagem. No exterior do armazém, investiu num contentor para os
resíduos dos químicos usados para a impressão de fotos. Um
contentor sem identificação, porque quando os bidões com
substâncias perigosas estavam identificados com o símbolo da Fnac
chegaram a ser assaltados. "Há qualquer coisa que atrai as pessoas
quando tem o símbolo da Fnac, mesmo que seja lixo. E tóxico", diz
o chefe da loja, Paulo, encolhendo os ombros.