Greve no Casino da Póvoa contra despedimento coletivo

Publicado a

Os trabalhadores do Casino da Póvoa, concessionado à Varzim Sol, empresa do grupo Estoril-Sol, já entregaram um pré-aviso de greve para o próximo dia 9. Em causa está o despedimento coletivo de 21 trabalhadores, que o Sindicato da Hotelaria do Norte considera "discriminatório".

Em declarações ao Dinheiro Vivo, Francisco Figueiredo, coordenador desta entidade sindical, explica que "um terço dos trabalhadores visados neste processo são dirigentes ou delegados sindicais e membros da comissão de trabalhadores", acreditando ser um processo injustificado, não aceitando as razões dadas pela Varzim Sol para os despedimentos, já que a empresa "dá lucro".

A empresa já confirmou este despedimento coletivo, alegando para tal a quebra de receitas que tem sentido desde 2008, que caíram um terço desde essa altura.

Os últimos números apresentados pelo grupo confirmam esta tendência: as receitas de jogo do Casino da Póvoa foram de 27,6 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, menos 11% do que o registado em igual período de 2012, quando este valor se situava em quase 31 milhões de euros.

Depois de terminar o processo de informação e negociação com os trabalhadores, que já decorreu, a Varzim Sol tem agora de tomar a decisão final sobre este processo, salienta Francisco Figueiredo.

"Apresentámos três propostas alternativas ao despedimento, que não foram aceites", revela. Perante esta situação, os trabalhadores vão avançar para greve, já no próximo dia 9, segunda-feira, e por um protesto que decorrerá em três fases: "Vamos a Lisboa denunciar este despedimento coletivo, primeiro ao Turismo de Portugal, depois iremos até à Assembleia da República e no fim iremos até ao Casino Estoril, onde é a sede da Estoril-Sol", numa tentativa de alertar para o esvaziamento dos quadros do Casino da Póvoa, que já empregou "mais de 600 trabalhadores e tem agora apenas 244", justifica o representante sindical.

Francisco Figueiredo afirma também não entender o motivo apresentado pela Varzim Sol para este despedimento: "Dizem que é devido à evolução tecnológica nas salas de jogo, e daí o subsequente esvaziamento de categorias que já não fazem sentido." No entanto, o que o sindicato verifica é que "o critério escolhido para o despedimento foi a recusa dos trabalhadores em assinarem os acordos de polivalência, apresentados pela empresa em 2012 e 2013", já que os funcionários alvo deste despedimento são aqueles que não aderiram a este processo, defende o dirigente sindical.

Diário de Notícias
www.dn.pt