Já há muito que não se viam tantos estrangeiros em Portugal. Os operadores turísticos falam em aumento da procura na ordem dos 20%. "Com a instabilidade que se vive em todo o mundo árabe, Portugal, Espanha, Itália e Grécia constituem boas alternativas como destinos de férias", reconhecem.
Só em maio, os hotéis portugueses registaram mais de três milhões de dormidas de não residentes, um crescimento de 15,5% em relação ao ano passado, que contrasta com a quase estagnação (+0,8%) da procura por parte de turistas nacionais. Esta nova vaga de turistas estrangeiros vem, sobretudo, da Irlanda, Reino Unido e da Alemanha e procuram desde as praias do Algarve (+16,2%), até às paisagens do Norte (+11,7%) e dos Açores (+11,6%) ou a história dos monumentos de Lisboa (+10,7%). Mas há também cada vez mais chineses e angolanos.
"Portugal, e em particular o Algarve, está a beneficiar do desvio de clientes por parte dos grandes operadores turísticos da Europa devido aos problemas de insegurança no norte de África e na Turquia", assegura Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve. Este ano, o Algarve conta com um aumento de turistas alemães, ingleses, irlandeses e holandeses. Mesmo que as estadias sejam agora mais curtas (em média 2,8 noites) e os turistas, fruto da crise, estejam mais contidos nos gastos. Os proveitos totais dos hotéis portugueses somaram, em maio, 183,3 milhões de euros, mesmo assim uma subida de 8,9%.
Há já muitos hotéis com ocupação prevista acima de 90%, como é o caso do Sheraton Algarve & Pine Cliff Resorts, que assume, inclusive, que "o crescimento a nível das receitas supere o crescimento esperado em ocupação", de acordo com Jorge Lopes, diretor de marketing e vendas.
Mas maior quantidade não significará necessariamente mais receitas. "Os preços teriam de subir entre 15% a 20% para compensar a estagnação dos últimos anos", avisa Luís Veiga, presidente da Associação Portuguesa de Hotelaria (AHP). "O aumento do número de turistas estrangeiros não chega para compensar a retração no mercado nacional. Vamos chegar ao fim do verão com quebras no volume de negócios, embora ainda não seja possível quantificá-las", refere ao DN/Dinheiro Vivo fonte da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo.
"Contamos com uma melhoria a nível dos mercados externos. Sem dúvida que beneficiamos das perturbações noutros destinos mediterrânicos", concorda Luís Veiga, presidente da Associação Portuguesa de Hotelaria (AHP). "O Algarve já está com um desempenho muito positivo no mercado externo, por exemplo. Mas esse aumento da ocupação também é muito condicionado pelo preço, que não é aumentado há bastante tempo, enquanto os custos com impostos e burocracias têm cortado às receitas líquidas da hotelaria", explica o hoteleiro, que não hesita ao afirmar que os "preços teriam de aumentar entre 15% a 20% para manter a viabilidade das margens hoteleiras":
Luís Veiga considera, mesmo, que há regiões - como o Centro - que, com ocupações "a rondar os 35%, vivem momentos preocupantes e nem com ocupação a 50% com os preços atuais se tornam viáveis". Com efeito, Aveiro surge apenas em 12.º, Coimbra em 13.º e Figueira da Foz em 20.º na lista dos destinos mais procurados, em Portugal, pelos estrangeiros que utilizam o motor de busca Trivago. "Em julho, verificou-se uma descida global de pesquisas de estrangeiros por destinos portugueses. Ainda assim, algumas localidades sofreram um grande aumento de procura em relação ao mesmo período do ano passado, como o Alentejo, Sagres, Sines, Nazaré e Setúbal", explica a empresa.
Conhecer Portugal todo em apenas uma semana é o desejo dos estrangeiros que, em cada vez maior número a agência Abreu traz a Portugal. "Este ano, há um incremento considerável no nosso incoming, revelou fonte da agência, líder de mercado em Portugal. Brasileiros, mexicanos, colombianos, argentinos, chilenos e angolanos são os turistas que a Abreu mais coloca em Portugal, além dos espanhóis. "Vêm conhecer Portugal, na sua maioria fazem viagens de interesse cultural, incluindo as rotas dos vinhos, os cruzeiros no Douro, os roteiros religiosos. E aproveitam também os preços atrativos para fazer compras na Grande Lisboa". Em estadias mais curtas e mais baratas.