À primeira vista, a existência de plataformas que ligam pessoas a tarefas ou serviços parece ser um tema já muito batido no mundo do empreendedorismo. Os irmãos Bruno e Marco Nunes, contudo, conseguiram dar a volta e aplicaram o conceito de banco de tempo a uma comunidade. Foi a partir daí que nasceu a Hood Community, uma plataforma de soluções para a comunidade, onde os conhecimentos valem dinheiro e, sobretudo, tempo.
"Se pesquisarmos por carpinteiros e cabeleireiros, só aparecem grandes marcas, porque são as que têm capacidade para aparecer num motor de pesquisa. A Hood Community reúne todas as funções numa comunidade online, depois de terem perdido quase toda a visibilidade na rua", explica Bruno Nunes, um dos fundadores da Hood Community.
Nesta plataforma, contudo, a ideia não é trocar tempo por dinheiro. O ideal é trocar tempo por tempo. "Sempre que o utilizador criar um serviço, recebe automaticamente a unidade de "tempo" que disponibilizou para a comunidade, que poderá usar de diferentes formas e para inúmeros fins. Desta forma, estimula o aumento da rede comunitária, valorizando o tempo e conhecimento de cada utilizador e comunidades, sem que haja uma tradicional moeda de troca."
Esta ideia teve origem no conceito de banco de tempo, criado por Edgar S. Cahn. O antigo assessor de Robert F. Kennedy considera que o dinheiro, "ao valorizar e desvalorizar-se, acaba por afetar a confiança nas pessoas".
A Hood Community também é uma aplicação móvel gratuita que pode ser descarregada gratuitamente para os sistemas operativos iOS (Apple) e Android (Google). O utilizador não tem de pagar qualquer comissão. Apenas tem de permitir o acesso à sua geolocalização para poder descobrir os profissionais que estão dentro da comunidade mais próxima.
O cenário muda para o fornecedor: "por cada serviço desbloqueado, tem de pagar 2,99 euros por cliente, independentemente do montante gasto nesse serviço. Os serviços que implicam a apresentação de um orçamento, como o do canalizador, implicam um custo de desbloqueio de 4,99 euros por cliente. Também é possível comprar pacotes de créditos com algum desconto associado e que poderão ter um serviço promovido pela plataforma.
Ideia de irmãos
O conceito da Hood Community nasceu no início de 2017 mas a ideia para a plataforma já tinha sido pensada antes disso. Em crianças, Bruno e Marco Nunes viveram ambos na Amadora e não sabiam que serviços ou tarefas podiam descobrir em redor. Mais tarde, Marco fez uma viagem ao Nepal e foi na sequência do terramoto de abril de 2015 que descobriu o conceito de banco de tempo.
Com o apoio de uma equipa tecnológica externa, toda a plataforma pôde ser desenvolvida. E juntaram-se, entretanto, mais três sócios: Cátia Raposo, Pedro Mendão e Bruno Costa.
Lançada em abril, graças a um investimento inicial de 100 mil euros, a Hood Community já conta com pelo menos 145 fornecedores de serviços e 1200 pessoas inscritos na zona de Lisboa e deverá chegar a todo o país até ao final deste ano.
A médio prazo, a aposta no estrangeiro poderá ser feita na Europa - com o lançamento da plataforma em Espanha - ou na América Latina - Brasil e Chile "são dois mercados com potencial para este serviço".