Inspeção às bombas: Gasóleo cor de sumo de maçã é bom

A Repsol da A8 foi inspecionada esta 5ªfeira e o Dinheiro Vivo esteve lá a ver como correm estas ações que estão a ser feitas em todo o país.
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Eram 10h30 em ponto de quinta-feira, 21 de janeiro, quando a bomba de gasolina da Repsol na A8, logo à saída de Lisboa, viu chegar dez pessoas, algumas de coletes amarelos e pinos cor de laranja na mão. Três eram da Entidade Nacional para o Mercado dos Combustíveis (ENMC), duas do Instituto Português de Qualidade (IPQ), outras duas da ASAE e mais duas do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) e, por fim, uma da Autoestradas do Atlântico.

O dia, já estava muito cinzento e chuvoso, e uma inspeção era o que menos se esperava e desejava aquela hora. Mas estas ações são mesmo assim, sem aviso ou pedido prévio. Às vezes até têm de esperar que o gerente do posto chegue. Mas na quinta-feira não foi preciso. O responsável da bomba - que não quis dar o nome - estava lá e recebeu todos sem mostrar qualquer incómodo ou preocupação.

"Nós estamos sempre disponíveis e já nos deparámos com situações destas. Temos 60 postos e a ENMC visita-nos com frequência. Ainda ontem estiveram em Évora e pelo que me disseram correu tudo bem", comentou.

O que o preocupava mais não era a inspeção em si, mas sim as questões de segurança, porque foi necessário fechar dois dos oito postos existentes e dar espaço para que os técnicos da ENMC e do IPQ montassem os equipamentos, que apesar de pequenos, requerem bastante perícia. Quase como se fossem laboratórios de química portáteis. Além disso, desabafou quando passava pouco das 11h00, que "por esta hora já devia estar em Leiria". Mas ficou até ao fim a acompanhar todo o processo.

Enquanto o IPQ verificava os contadores dos postos, recolhendo amostras para verificar se o os consumidores abastecem bate certo com o que contado na máquina, a ASAE verificava se os alimentos estavam bem acondicionados e se estavam dentro do prazo e a ENMC preparava os frascos para guardar as amostras de combustível cuja qualidade será depois avaliada em laboratório. Ou seja, vai analisar-se se o produto não está misturado com outro tipo de produto indevido e, por exemplo, se tem os correctos níveis de enxofre ou de viscosidade.

Às vezes, basta olhar para a cor para perceber que algo pode estar mal. É que quando se está a abastecer o carro não há forma de distinguir o combustível porque não vê. E se sujar as mãos ou cair no chão a cor é sempre a mesma. Mas dentro de frascos de vidro, daqueles gordos com tampa de rosca dourada que mais parece as antigas garrafas de leite que deixavam à porta de casa, cada tipo de combustível tem uma cor bem diferente e identificativa.

O gasóleo, seja ele simples ou aditivado, tem a cor de um sumo de maçã ou de um chá frio. A gasolina 95, também a simples e a aditivada, é violeta. E a gasolina 98 é de um tom esverdiado parecido com Tantum Verde diluído em água.

Na quinta-feira só recolheram amostras de dois tipos de combustível, como aliás está previsto. A escolha recaiu sobre o gasóleo aditivado e a gasolina 98 que, à primeira vista pareciam ter a cor certa. Foram depois de embalados foram colocados num saco fechado que tinha de ser autenticado pelo gerente do posto. Como prova de que tinha sido recolhido ali, naquele local.

Aliás, certificados é o que há mais no final de uma inspeção destas. O IPQ também deixa um nas máquinas a dizer que foi verificado e que está tudo em conformidade. Aliás, segundo um dos técnicos presentes no local, Jorge Fradique, "de um modo geral não acontece haver problemas nos contadores porque fazemos este tipo de inspeções todos os anos". Além disso, os contadores estão selados e adulterá-los não é fácil, é mesmo quase impossível. Avarias também há poucas, adiantou um outro funcionário do IPQ, José Quaresma, que nota que "em 99% dos casos de avaria do contador quem ganha é o consumidor".

A ASAE também tinha um papel para assinar e, neste caso, dizia mais ou mesmo que o do IPQ. "Como neste posto não se confeciona comida e só há produtos embalados apenas tivemos de verificar a rotulagem e os prazos de validade e estava tudo em ordem", explicou um dos responsáveis daquela entidade que também não quis ser identificado.

Só mesmo a ENMC é que não tem resultados imediatos para revelar porque as amostras têm de ir para laboratório. No entanto há algumas situações que também tem de verificar e que estão agora incluídas na avaliação por pontos introduzida com a nova lei do sector petrolífero.

"Verificamos se há luvas e papel para limpar as mãos junto aos postos e às mangueiras. Se houver são dois pontos que a bomba recebe por cada um, ou seja, quatro no total", disse fonte oficial da ENMC. E reparam, por exemplo, se as mangueiras têm protecção antissalpicos, o que dá direito a um ponto, ou se há infraestruturas para proteger da chuva, o que dá direito até 2 pontos se proteger a 75%. Mas "é a qualidade do combustível que vale mais, cerca de 40% da pontuação final".

Os critérios são, de facto, rigorosos e detalhados, mas estas ações inspetivas são relativamente rápidas. A desta quinta-feira na Repsol demorou pouco mais de hora e meia, mas porque foi uma operação conjunta com as várias entidades que avaliam os postos. Foi, aliás, a primeira do género a realizar-se este ano, sendo que se faz uma por mês, sempre coordenada pela ENMC que tutela estas inspeções e que estão a ser feitas em todos os 2700 postos do país. Onde, não se sabe. É surpresa.

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