Jorge Vinha da Silva: "Tudo indica que 2022 será o melhor ano de sempre da Altice Arena"

A pandemia travou em 2020 e 2021 o "fulgor" económico da realização de espetáculos de entretenimento e de eventos corporativos, mas essa realidade está superada. O gestor da maior sala de eventos país anuncia níveis recorde de atividade este ano.
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Ainda faltam alguns dias para terminar o ano, mas já é certo que 2022 será o melhor de sempre da Altice Arena, tanto em número de eventos como em volume de receitas, ficando para trás o impacto de dois anos completamente atípicos.

"Tudo indica que este será o melhor ano de sempre", afirma ao Dinheiro Vivo Jorge Vinha da Silva, presidente executivo da Arena Atlântico, empresa que detém a maior sala de eventos do país e gere a Meo Blueticket.

"O nosso melhor ano tinha sido em 2019", nota o gestor, recordando que devido à pandemia da covid-19 os anos de 2020 e 2021 representaram "um impacto negativo tremendo na economia" e, por isso, foram um travão para "toda a atividade dos eventos" quando a área estava "numa fase de grande fulgor". Nos anos de pandemia a empresa não registou prejuízos, graças à capacidade dos acionistas e "ao consumo de recursos internos", mas "houve quebras de receitas superiores a 80%", de acordo com o CEO da Altice Arena. Não obstante, levantados os obstáculos do contexto pandémico, o ano de 2022 revela-se não só um ano de recuperação como se afigura um ano de superação.

"Os meses de janeiro e fevereiro ainda foram bastante calmos, visto que as cadeias de valor da área do entretenimento e no turismo de negócios estavam afetadas - havia menos mão-de-obra disponível, por exemplo. E talvez pela vontade dos stakeholders assistimos a um ano com muita procura", comenta Jorge Vinha da Silva, indicando que as equipas comerciais da Altice Arena foram fulcrais a garantir para este ano eventos que não se realizaram em 2020 e 2021. Revela o gestor que houve nos meses de verão, sobretudo agosto, muita atividade. "O último quadrimestre é fortíssimo e chegámos a recusar muitos eventos porque não tínhamos agenda", diz, realçando uma "pressão muito forte do lado da procura" pela sala.

O gestor comenta que, provavelmente, a paragem forçada na maior parte dos anos de 2020 e 2021 contribuiu para um ano de 2022 "mais impactante".

Os números deste ano ainda não estão fechados, mas os dados dos primeiros nove meses sustentam a convicção do CEO da Altice Arena. No final de setembro, as receitas ascendiam a 13 milhões de euros. Ora, em 2019, a faturação fixou-se em 15,8 milhões de euros, um valor que Jorge Vinha da Silva não tem dúvidas que "será superado" para mais de 16 milhões, tal como o valor do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), indicador que o gestor estima superar os seis milhões de euros. No final de setembro, a margem de EBITDA era de 48%, 15 pontos percentuais acima do registado no ano de 2019.

Estes números são um reflexo da quantidade de eventos realizados e do número de pessoas que passam pela Altice Arena. "Em 2019 tivemos quase 150 eventos, este ano, chegaremos próximo desse número também, mas não o vamos superar porque há este ano o fenómeno dos eventos serem maiores e ocuparem mais dias", diz o gestor, estimando que o ano de 2022 vai superar o milhão de pessoas a visitar o Altice Arena. "Está dentro dos nossos indicadores para um bom ano", refere.

Questionado sobre que áreas pesam mais na atividade, Jorge Vinha da Silva garante que já não há uma área que se destaque mais. Apesar dos concertos serem a parte mais mediática, "há uma relação 50%-50% entre eventos e concertos". "Durante alguns anos, a nossa atividade, em número de eventos, equilibrava-se entre concertos, grandes conferências e congressos, mas não se equiparava ao nível de receita. Hoje em dia, atinge-se essa paridade quer em receita quer em número de eventos", adianta.

A melhoria da atividade da Altice Arena beneficia também, segundo explica Jorge Vinha da Silva, de uma maior relevância que Portugal assume no setor dos eventos, algo impulsionado pela atividade turística e pelo desenvolvimento do turismo de negócios.

"Lisboa está em segundo no ranking europeu da Associação de Congressos e Convenções Internacionais [ICCA], apenas atrás de Paris. E Portugal está no top 10", conta o gestor que também é vice-presidente da ICCA. Grande parte da procura vem do centro e norte da Europa e "paulatinamente" dos EUA, segundo o gestor.

Com esta evolução, outras cidades nacionais também começam a destacar-se. "Estamos mais atrativos e cidades como Porto, Braga, Coimbra e o Algarve oferecem outras centralidades que atraem eventos para Portugal", diz em jeito de comentário a todo o setor dos eventos.

Este é o cenário no momento, mas para 2023 Jorge Vinha da Silva revela cautela. "Estou otimista em termos de atividade, mas moderadamente preocupado com a pressão na margem dos negócios", revela.

O gestor não esconde que a guerra na Ucrânia, a inflação, a relação euro-dólar e a questão energética geram "incerteza". "Se o ano correr bem e os fatores externos não influenciarem demasiado a atividade, penso que 2023 pode ser parecido com 2022", afirma.

No entanto, no caso da Altice Arena, diz estar consciente que "a pressão do negócio vai ser muito maior em 2023". Um dos grandes receios é em torno da energia. As instalações da Altice Arena representam uma fatura energética na ordem dos 700 mil euros por ano, um valor que "pode mais do que duplicar" se o contexto económico se agravar.

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