Os CTT - Correios de Portugal reportaram esta quinta-feira um lucro de 36,4 milhões de euros em 2022, um decréscimo de 5,2% face aos 38,4 milhões registados em 2021. Ainda assim, o resultado líquido obtido está em linha com o consenso de analistas que acompanha a empresa, que estimava um lucro mínimo de 35,5 milhões de euros.
De acordo com as contas enviadas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o lucro recorrente antes da dedução de juros e impostos (EBIT recorrente) foi de 64,5 milhões de euros, o que representa um crescimento de 4,4% em termos homólogos. O resultado líquido foi "positivamente influenciado" pelo crescimento do EBIT, mas o lucro dos CTT acabou por recuar devido a "resultados específicos" que se traduziram numa "perda líquida de 8,4 milhões de euros, o que compara com um ganho líquido de 1,8 milhões em 2021".
Esta perda inclui custos de restruturação de um centro corporativo, custos associados a "projetos estratégicos" e, ainda, compensações extraordinárias aos trabalhadores em contexto de inflação e "custos relacionados com a saída antecipada do edifício da antiga sede (3,6 milhões de euros)".
Os rendimentos operacionais do grupo cresceram em todas as áreas de negócio, destacando-se os serviços prestados a empresas, bem como o segmento Expresso e Encomendas e o Banco CTT. No conjunto das operações, os rendimentos aumentaram 6,9%, para 906,6 milhões de euros.
Os Correios e Outros geraram receitas de 460,9 milhões, mais 3,7% do que no ano anterior. Apesar da tendência de decréscimo no tráfego postal (decréscimo de 5,6% na atividade do grupo em 2021), os CTT notam que esta área foi "positivamente" influenciada pelo crescimento do negócio de soluções empresariais, "incluindo o efeito da consolidação da NewSpring Services desde 30 de agosto de 2021" e também devido a "uma receita relacionada com um projeto de venda de computadores [os CTT participaram no programa Escola Digital] iniciado no último trimestre de 2021 e que ainda teve reflexo no primeiro trimestre de 2022".
Aliás, a empresa realça que o segmento mais tradicional do grupo poderia ter gerado mais rendimentos não fosse o fim da isenção de IVA que ocorreu a partir de 1 de julho de 2021 em produtos extracomunitários de menor valor.
Na área do Expresso e Encomendas, registaram-se rendimentos de 259 milhões, mais 1,3% do que em 2021. Esta parte da operação, em Portugal, ainda foi impactada no primeiro trimestre de 2022 "por um comparável difícil face ao período homólogo, já que o primeiro trimestre de 2021 foi marcado pelos efeitos das restrições da pandemia de covid-19, nomeadamente o segundo período de confinamento, o que impulsionou fortemente o crescimento da atividade de e-commerce nesse período". Somou-se uma "tendência de recuperação" na atividade CEP, influenciada por uma época alta "bastante forte, suportado essencialmente por clientes de atividade de comércio eletrónico, com particular incidência de grandes marketplaces globais e e-sellers nacionais e internacionais".
Ganhos do Banco CTT disparam mais de 27% e certificados alavancam serviços financeiros
Nos serviços financeiros e retalho do grupo, as receitas cresceram 24,2% em 2022, para 60,7 milhões de euros. Este segmento teve um impulso significativo no quatro trimestre (+59% em termos homólogos), beneficiando "do crescimento da subscrição dos títulos de dívida pública, em especial dos certificados de aforro, pelo facto da sua atratividade ter vindo a aumentar desde o início do ano, fruto de uma nova conjuntura de taxas de juro que posiciona melhor a dívida pública enquanto alternativa de investimento".
Não obstante, foi a atividade bancária do grupo que mais cresceu face a 2021. O Banco CTT obteve rendimentos operacionais de 126 milhões de euros, mais 27,4% face ao ano anterior, e um EBIT recorrente de 14,4 milhões de euros, mais 76,9% em termos homólogos. A margem financeira do Banco CTT atingiu os 74,4 milhões de euros em 2022, mais 18,6 milhões (ou 33,3%) do que em 2021.
"A evolução favorável da atividade do Banco CTT esteve ancorada no crescimento da sua carteira de crédito. Este desempenho foi suportado principalmente pelo crescimento da carteira de crédito automóvel, cuja produção atingiu no quarto trimestre um novo máximo (69,5 milhões de euros) totalizando 262,4 milhões de euros em 2022 (+22,7% face a 2021)", lê-se no relatório de contas.
No crédito à habitação, o Banco CTT registou uma produção de crédito de 145,6 milhões de euros, mais 9,4% face a 2021. A administração de João Bento adianta que "as taxas de referência do crédito habitação sofreram um forte crescimento em 2022, em resultado da subida das taxas de juro diretoras definidas pelo Banco Central Europeu (BCE), devido ao aumento da inflação na zona euro" e, nesse sentido, "a carteira de crédito habitação líquida de imparidades ascendeu a 658,6 milhões de euros (+10,7% face a dezembro de 2021)".
No final de 2022, o banco dos CTT tinha recebido 45,5 milhões de euros em comissões, mais 15,6% do que no ano anterior, e registava mais de 2,28 mil milhões de euros em depósitos de clientes em mais de 600 mil contas ativas.
Sobre o Banco CTT, o grupo nota também que a carteira de crédito ao consumo relativa ao Cartão Universo (que tem associados serviços financeiros do grupo Sonae) gerou rendimentos de 21,6 milhões de euros em 2022, com um volume de balanço líquido de imparidades de 353,8 milhões de euros em dezembro de 2022, ou seja mais 21,1% do que em dezembro de 2021.
"Em resultado da alteração significativa do contexto macroeconómico e financeiro global, justificou-se a necessidade do Banco CTT e do Universo revisitarem os termos subjacentes ao acordo de parceria na área dos serviços financeiros celebrado em 1 de abril de 2021", recorda o grupo, reiterando que a parceria entre os CTT e a Sonae termina a 31 de dezembro de 2023.
Assim, até ao final do ano o Banco CTT ficará livre de responsabilidades sobre a exposição líquida a cartões de crédito Universo.
"O banco recebeu uma indemnização por cessação no valor de 1,9 milhões de euros em dezembro de 2022. Com a concretização deste acordo, o Banco CTT ganhará opções estratégicas na gestão do seu portefólio e libertará liquidez e capital, que reforçará o desenvolvimento e crescimento rentável do Banco CTT", acrescenta o grupo CTT.
De referir que o Banco CTT aguarda pela conclusão do processo de entrada da Tranquilidade/Generalli no capital acionista do banco. A seguradora não só se tornará acionista de referência da instituição, com uma posição de 8,71%, como vai distribuir seguros de vida e de ramos reais através da rede do grupo.
CTT perderam 254 carteiros em 2022
Segundo a informação disponível na CMVM, o grupo CTT viu o número de trabalhadores (efetivos e a termo certo) cair 0,8% em 2022, para 12 506 pessoas.
"Verificou-se um decréscimo de trabalhadores/as na área de negócio de Correio e Outros (-254 trabalhadores), onde se têm desenvolvido projetos que visam o aumento da produtividade das operações, através da adaptação da rede ao novo perfil de tráfego reduzindo a necessidade de contratação suplementar, bem como a persecução do programa de otimização de recursos humanos a decorrer principalmente na estrutura central", explicam os CTT.
Desta forma, no final de 2022, na rede postal contavam-se 5384 trabalhadores (dos quais 4041 carteiros). Já na rede de retalho, o grupo tinha 2255 trabalhadores.
Em 2022, o cash flow operacional ficou nos 99,6 milhões de euros, mais 61,2% face a 2021, e o investimento ascendeu a 37 milhões de euros, o que equivale a uma melhoria de 2,3% em termos homólogos mas aquém dos valores indicados no plano estratégico para o triénio 2022-2025 (investimento anual na ordem dos 40 milhões, pelo menos).
A 31 de dezembro de 2022, a dívida líquida do grupo ascendia a 29,8 milhões de euros, um decréscimo de 49,4% face a 2021.