O grupo Martinhal, dono do Martinhal Sagres, Quinta do Lago e Cascais, está a ultimar os preparativos para a abertura do próximo espaço em pleno Chiado, no centro de Lisboa. O investimento no Martinhal Residences, no valor de 15 milhões de euros, vai resultar no primeiro espaço do grupo na capital portuguesa. O aparthotel de cinco estrelas agrega um total de 37 apartamentos familiares de luxo, inseridos na estratégia hoteleira do grupo que, só no ano passado, faturou 18 milhões de euros no primeiro Martinhal, em Sagres, inaugurado em 2010.
“Desde que nos mudámos para Portugal que sentíamos muito otimismo também em relação à área de Cascais. É parte da cidade-capital, mas na costa. O que queríamos fazer era mostrar Lisboa às nossas famílias, como uma ótima cidade para as famílias explorarem”, conta Chitra Stern, CMO e fundadora do grupo, em entrevista ao Dinheiro Vivo. À procura de um espaço no Chiado desde 2011, Chitra encontrou finalmente o prédio ideal na Rua do Alecrim.
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Chitra Stern, CMO do grupo Martinhal.
(Sara Matos / Global Imagens)[/caption]
O Martinhal Residences, em Lisboa, é o primeiro espaço que o Martinhal tem na capital portuguesa e uma aposta na diversificação dos clientes do grupo: se, no Algarve, mais de metade da ocupação é assegurada por ingleses e alemães, Chitra Stern acredita que, no caso do Chiado, vai ser diferente. “Olhando para a nossa expansão e para o crescimento do mercado, queremos expandir-nos para áreas que sejam complementares. As marcas boutique serão para os mesmos clientes, mas para um espetro ainda mais alargado. Lisboa tem uma enorme variedade de nacionalidades, comparando com o Algarve. Assim vamos conseguir trazer as nacionalidades que normalmente visitam o Algarve para a cidade, e vice-versa. É uma mistura boa”, garante a CMO, que acredita que a ocupação será mais equilibrada entre “espanhóis, franceses, americanos, ingleses e alemães”.
O novo Martinhal Chiado será, ainda assim, o empregador menos significativo do grupo, com cerca de 30 trabalhadores contratados durante todo o ano. No Martinhal de Sagres trabalham 160 pessoas fixas e mais de 260 temporariamente, com contratos entre 6 e 9 meses, resultado do reforço das equipas no verão. O hotel de Cascais, inaugurado já este ano, é o segundo empregador do grupo, com 70 trabalhadores fixos e outros tantos temporários. Os preços do Martinhal Residences começam nos 200 euros/noite.
Como financiar um hotel. Vender as peças e gerir as partes
É como se de uma grande família se tratasse. O novo Martinhal Residences, bem no centro do Chiado, pertence a Chitra Stern, CMO e fundadora do grupo. Mas conta com mais 32 sócios, que ao longo dos meses investiram no projeto através da compra de 32 dos 37 apartamentos disponíveis no prédio da Rua do Alecrim.
Apesar de contar com financiamento bancário, o plano de investimento do projeto foi trabalhado pela empresa de maneira a que vários sócios entrassem com investimento. Assim, e apesar de quase todos os apartamentos pertencerem a investidores privados - entre os quais estão sul-africanos, turcos, chineses, franceses e outros financiadores da Malásia, Maurícias, Hong Kong e Seicheles -, a gestão é feita pelo grupo e “4% da renda é pago ao dono da propriedade”, explica Chitra Stern. “Praticamente um ambiente de Nações Unidas”, brinca.
“Gerimos como Martinhal, somos a entidade exploradora. Esta é a força da lei turística dos apartamentos. Como funciona? Compram o apartamento, assinam um contrato de arrendamento connosco e há apenas uma entidade exploradora para a marca e para o edifício. O que temos aqui é um conceito totalmente diferente. Precisamos de controlar tudo e, para isso, temos de ser nós a gerir o arrendamento.”
Quanto a novos investimentos, Chitra revela que o grupo não deverá ficar por aqui e que o conceito como o do Chiado deverá fazer parte da expansão do grupo. “Estamos à procura de parceiros de investimento e não temos dúvidas de que temos aqui uma excelente montra para o conceito que quisemos implementar. Estamos à procura de investir mais mas será em projetos muito específicos que estejam dentro do conceito do Martinhal e da marca e portafólio, porque nem tudo pode ser um Martinhal.”