A Energia Simples, um comercializador de energia, vai pedir ao Governo o fim do monopólio da EDP na aquisição de energia renovável bonificada.
Atualmente, a EDP Serviço Universal (EDP SU) é a única que pode comprar eletricidade produzida em regime especial - cogeração e renováveis - com tarifas que são subsidiadas.
Manuel Azevedo, presidente executivo da Energia Simples, diz que este modelo já não faz sentido e deve ser alterado, por travar concorrência no setor. A mudança também ajudaria o mercado a adaptar-se a uma nova fase, já sem tarifas asseguradas.
"Há um monopólio e a União Europeia não permite isso", afirmou esta quarta-feira, num encontro com jornalistas. Defendeu que a produção em regime especial com tarifa bonificada seja disponibilizada no mercado grossista (spot). Ao ser implementada essa medida, "aumenta o cash-flow das empresas e reduz as necessidades de financiamento dos pequenos" comercializadores, apontou.
"É uma questão de política energética. Toda a energia renovável é vendida a um só operador", afirmou.
Frisou que a própria ERSE-Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos defendeu essa alteração num estudo que divulgou.
"O sistema nacional tem de preparar para uma nova fase", disse. Segundo o gestor, a abertura do mercado de compra de eletricidade aos produtores em regime especial iria permitir que os comercializadores venderem energia 100% verde aos seus clientes, com menores custos financeiros.
Mas Manuel Azevedo antecipa que "vai haver alguma pressão" para que nada mude, por parte do "status quo" e da "área financeira", visto que projetos de produtores foram financiados tendo por base as atuais regras de mercado.