Nada mau I

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A ideia da transformar o camarote da Coca-Cola, no Estádio da

Luz, numa camarata foi uma belíssima ideia que a agência O

Escritório teve para a activação do patrocínio ao Benfica. A

mecânica descreve-se facilmente: a Coca-Cola, patrocinadora do

Benfica e com uma presença grande no Estádio da Luz, resolveu que

era altura de activar o seu patrocínio, ou seja, fazer qualquer

coisa para que se saiba que a marca está com o futebol e, sobretudo,

com a maior marca do futebol português, o Benfica (que não a maior

em resultados desportivos, com grande desgosto dos seus adeptos).

Para o fazer, resolveu converter o seu camarote, local normalmente

destinado, nos estádios, aos fãs da negociata e do tráfico de

influências, numa camarata onde os fãs da Coca-Cola e do Benfica

podiam pernoitar na véspera dos jogos e desfrutar de um programa que

vai de encontros com os jogadores e utilização dos ginásios, até

ao convívio com velhas glórias. Uma belíssima ideia.

Habitualmente, as marcas que escolhem patrocinar o futebol, por

ser um território de grande abrangência em termos demográficos,

ficam-se pelo papel de patrocinador-pagador. Um papel que é bom para

o clube, que encaixa algum, mas que deixa muito a desejar quanto ao

retorno que a marca tem com o investimento. Investe-se imenso

dinheiro a pôr o logótipo na camisola ou a pintar a bancada, e o

resultado é que, mais cedo do que mais tarde, a presença da marca

converte-se em indiferença. O famoso retorno, contabilizado como a

quantidade de vezes que o logo aparece, é ilusório e mal

contabilizado, pois conta as vezes que a marca aparece como estímulo

e não como sensação ou percepção, ou seja, não contabiliza a

quantidade de vezes que o patrocínio vira memória com significado.

Daí que seja preciso activar o patrocínio; para que se saiba não

só que a marca está lá mas, mais importante, por que é que está

lá, quais são os valores que partilha com os fãs e como é capaz

de ajudá-los a intensificar a experiência.

Antigamente fazia-se um anúncio. Hoje, com o consumo de media tão

fragmentado, mesmo que se gaste uma pipa de massa no above the line,

não há garantias de que a colagem da marca ao clube seja feita; e,

sobretudo, que resulte em top of mind, que é o único sítio, o

único resultado, que importa atingir com patrocínios deste valor.

É por isso que experimentar novas maneiras de activar a marca e

explorar novos caminhos é tão importante nos dias que correm. É

por isso que a ideia de transformar o camarote da Coca-Cola em

camarata é uma ideia absolutamente nada má. Porque mostra que a

marca entende os fãs; porque torna a marca instrumental no estreitar

da relação clube/fã; porque sendo nova é assunto e por isso viaja

e a marca viaja com ela.

O único senão desta campanha não está na sua ideia mas na sua

fraca presença nos media. O vídeo de lançamento, em que se anuncia

que a Coca-Cola encerra o seu camarote na Luz, podia ter sido um

teaser perfeito e ter potenciado o assunto exponencialmente, se

tivesse sido veiculado above the line. Mas imagino que o dinheiro não

deu para tudo. Mesmo assim, nada mau. Como o reconheceu o site

Creativity Top 5 ao dar-lhe o primeiro lugar no mundo - das boas

ideias.

Venham mais!

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Escreve à sexta-feira

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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