Nova Feira Popular: Poço da Morte ou Bailarina? É o público que escolhe

Autarquia lançou um site que pede aos lisboetas que participem na construção do novo espaço, situado em Carnide e cujas obras arrancam este ano.
Publicado a

É pessoa da Casa do Terror e do Poço da Morte ou prefere a Bailarina e a Casa dos Espelhos? E quer o tradicional frango assado, o pão com chouriço e as farturas ou prefere gourmet? Lisboa vai ter uma nova Feira Popular e a câmara quer que os lisboetas participem na construção.

No site lançado esta quarta-feira pela autarquia está disponível um formulário para assinalar as preferências, não só das diversões, mas também dos restaurantes, de novos espaços e atividades a implementar e até de preços e horários de abertura.

Por exemplo, nas diversões pode escolher entre o Poço da Morte, os Carrinhos de Choque, a Casa do Terror, a Bailarina, a Casa dos Espelhos, a Roda Gigante ou a Montanha Russa. Ou pode escolher todos que o formulário permite assinalar todas as opções se assim o desejar.

Também permite fazer outros comentários se preferir qualquer outra diversão que não estas que, na prática, são as da Feira Popular original e que servem para apelar à memória dos lisboetas que frequentavam o espaço quando ele estava em Entrecampos.

No formulário tem ainda a opção de escolher o tipo de restaurantes que a nova Feira vai ter, entre os mais tradicionais (sardinhas, febras, frango assado, etc) e os mais modernos ou mesmo vegetarianos. E ainda quais os espaços culturais que podem ser construídos, se uma sala de concertos ou de teatro ou pequenos palcos espalhados pelo recinto, se um museu ou uma feira do livro ou mesmo uma discoteca e até que tipo de eventos podem ser realizados, como desfiles de moda ou feiras de artesanato.

Até questionam se seria importante ter uma página no facebook, uma aplicação para smartphone e ainda se o recinto deveria estar equipado de internet sem fios e de locais para carregamento de telemóveis.

O formulário vai estar disponível no site durante os próximos seis meses, mas apesar de ser um projeto ainda em desenvolvimento e sem data definida para estar pronto, estima-se que as obras arranquem antes do final do ano e que terá, pelo menos, uma Roda Gigante e 1500 lugares de estacionamento. E também carrinhos de choque, os preferidos do presidente da Câmara, Fernando Medina.

Já se sabe também qual será a nova localização: um terreno de 20 hectares junto ao metro da Pontinha, ou seja, quatro vezes maior que a anterior Feira Popular em Entrecampos. Aliás, Medina disse na apresentação de quarta-feira que pode ser discutida a possibilidade de mudar o nome da estação de metro.

No site lançado na quarta-feira há ainda uma cronologia da história da Feira Popular e algumas imagens antigas e vai dar para acompanhar o desenvolvimento do projeto que foi lançado há sete meses com a escolha e anúncio do terreno.

Segundo o site, a primeira Feira Popular de Lisboa abriu no dia 10 de Junho de 1943 e estava instalada nos terrenos onde hoje está a Fundação Calouste Gulbenkian e onde 45 anos antes tinha sido aberto o Jardim Zoológico de Lisboa.

O local chamava-se Parque José Maria Eugénio e a feira foi designada de “Luna Parque”, talvez uma referência ao Luna Park original situado em Coney Island, em Nova Iorque, nos EUA, um dos primeiros parques de diversões do país que abriu em 1903 e fechou em 1946, tendo depois sido sucessivamente substituído por outros parques que existem ainda hoje no mesmo local.

Mas voltando a Lisboa, a ideia do Luna Parque foi de João Pereira Rosa, diretor do jornal “O Século”, e tinha como objetivo a recolha de fundos para a colónia balnear do jornal.

Entre 1958 e 1959, mudou-se para o Jardim da Estrela e a 24 de junho de 1961 é inaugurada em Entrecampos onde permaneceu até fechar definitivamente em outubro de 2003, com 60 anos de história. Tinha 38 espaços de divertimento e 52 restaurantes e chegou a receber mais de 1,4 milhões de visitas por ano.

Os terrenos de Entrecampos estão, desde essa altura, fechados, tendo servido para realizar algumas feiras semelhantes mas apenas em épocas específicas como o Natal. O espaço, que é da câmara municipal, está à venda e apesar de vários interessados e de já se terem realizado duas hastas públicas, ainda não foi fechado nenhum negócio.

Diário de Notícias
www.dn.pt