A agenda da internacionalização inteligente

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A Internacionalização Inteligente é fundamental na nova agenda económica para Portugal e deverão ser as empresas a liderar o processo de afirmação da competência portuguesa no mundo global. Muito oportuna neste contexto a iniciativa da PTPC - Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção, no âmbito do seu projeto de internacionalização associado às multilaterais, de realizar este ano um conjunto de ações internacionais - em Londres, Bruxelas e Washington - para promover o que de melhor se tem feito em termos de inovação - com destaque para o digital e a sustentabilidade - nesta importante fileira da nossa economia. Só se conseguirão aumentar os índices de reputação da nossa economia no exterior se soubermos prestigiar da melhor forma as nossas competências e o exemplo da PTPC - Cluster AEC é claramente uma referência nesta agenda.

A Internacionalização Inteligente tem que se assumir como o ponto de partida e de chegada de uma nova dimensão da competitividade em Portugal. Assumido o compromisso estratégico da aposta na inovação e conhecimento, estabilizada a ideia coletiva de fazer do valor e criatividade a chave da inserção das empresas, produtos e serviços portugueses no mercado global, compete às empresas a tarefa maior de saber protagonizar o papel simultâneo de actor indutor da mudança e agregador de tendências. As empresas terão que saber utilizar as redes diplomáticas existentes, sempre numa base de partilha colaborativa estratégica e tendo por base a concretização de objectivos claros e adequados á carteira de competências do país. Estas iniciativas dum dos mais dinâmicos clusters da nossa economia é um belíssimo exemplo desta estratégia.

As empresas têm que se assumir como atores globais, capazes de transportar para a nossa matriz social a dinâmica imparável do conhecimento e de o transformar em activo transaccionável indutor da criação e riqueza. Para isso, a chave da Internacionalização Inteligente deverá assentar em três grandes instrumentos estratégicos - a captação de investimento de inovação, o reforço da carteira de valor das exportações e a projecção superior da Marca Portugal. Internacionalização Inteligente é assim um compromisso entre ambição e excelência, um verdadeiro apelo á mobilização dos nossos melhores talentos e competências.

A questão do papel dos talentos na Internacionalização Inteligente é decisiva. É inequívoco o sucesso que nos últimos anos se tem consolidado na acumulação de capital de talentos de Norte a Sul, nos diferentes Centros de Competência que proliferam pelo país. Chegou agora o tempo de dar a estes talentos dimensão global, no aproveitamento das suas competências e na geração de criatividade e valor que eles podem induzir. Duma forma sistemática, arrojada mas também percebida e participada. A sua participação em projectos integrados colaborativos de base global é um desafio que tem que ser incentivado. A PTPC tem feito da inovação o motor da sua estratégia como o seu BUILT Colab tão bem tem sabido executar e que é uma das referências nesta agenda internacional de promoção.

As fileiras - e as empresas que as integram - têm um grande desafio no grande projeto da Internacionalização Inteligente. Porque as fileiras são um percurso possível decisivo na nossa matriz social, o sucesso com que conseguirem assumir este novo desafio que tèm pela frente será também em grande medida o sucesso com que o país será capaz de enfrentar os exigentes compromissos da globalização e do conhecimento. As fileiras têm que assumir dimensão global ao nível da geração de conhecimento, valor, mas também de imposição de padrões sociais e culturais. Por isso esta iniciativa da fileira integrada da construção deve ser claramente um exemplo a seguir no futuro.

(Nota: o autor escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico)

Francisco Jaime Quesado, economista e gestor - Especialista em Inovação e Competitividade

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