Neste último sábado, Lisboa teve uma pequena viagem às verdadeiras cores da Iniciativa Liberal. Cores essas que sempre encandearam o liberalismo coerente que o país precisa. Um partido político que, mais ou menos catálogo de encomenda, nunca se coibiu de dar eco a posições ultraliberais. Com elas, ignorava a realidade nacional e sobretudo, o espaço entre o liberalismo e o ultraliberalismo.
Daqui à libertinagem, sempre foi um pequeno passo. Ei-lo ontem em todo o seu esplendor.
Era expectável que aqui chegassem.
O mesmo partido que votou contra todos os estados de emergência e revelou a muitos, o tal desvario completo e a tragédia que teria sido qualquer um dos seus dirigentes a decidirem tempore, a gestão desta pandemia.
É possível que ao longo dos anos, a IL nunca consiga chegar minimamente perto de ser à direita, aquilo que é o Bloco à esquerda. O seu grande objetivo e para o qual nem a génese daquilo que sustenta e faz eco como linha e raiz exclusiva do seu programa político, o futuro económico do país, é respeitado. Se o fizessem e a poucos meses da imunidade de grupo com a vacinação, saberiam que o controlo da Covid-19 em Lisboa e no resto do país, é o fator económico mais relevante e do qual advêm todos os outros.
Importa ainda concentrar-nos noutros paralelos entre esta direita, a extrema-esquerda e o Chega porque alguns equívocos invocados com estrondo, ficaram expostos através deste arraial prolongado da IL. Logo à cabeça, o de que houve em tempos um regime de exceção para o PCP quando agora, um parecer desfavorável da D.G.S não é suficiente para que a polícia tenha intervindo nestas festas particulares de Santo António. É uma pena não haver desrespeito pelas normas em vigor que pese.
A partir daqui e apesar do regime exceção das manifestações dos partidos políticos, não sei como fica o nosso Estado de Direito, mas torna-se óbvio que não vivemos sob o jugo sombrio de um poder excessivo do Estado ou de dois pesos e duas medidas, conforme à esquerda ou direita. Bem pelo contrário e o oposto de que gritavam muitos ontem. Inclusive, os da IL cujo desfecho político pretendido com este arraial, desconfio, era aquele que aqui retrato: intervenção policial a proibir os excessos e as normas quebradas para poderem apresentar a narrativa do Estado todo-poderoso, que é para uns como não é para outros e a acenar a bandeira da liberdade para os tolos.
Não foi assim e do fiasco, sobrou a imagem de um partido que se vende como liberal, mas que teoriza o ultraliberalismo e pratica a libertinagem. É uma pena.
Gonçalo Ribeiro Telles, Account Director e BDM na Creative Minds