A transição energética do setor dos transportes é um imperativo categórico, uma premência para a sustentabilidade da mobilidade. A investigação e o investimento em novas fontes de energia têm sido o apanágio nos últimos anos. Esta procura - necessária e imprescindível - tende a coartar a afirmação de outros combustíveis já existentes e que têm características que permitem aproveitar as infraestruturas e o conhecimento existente..Refiro-me ao AutoGás, que se assume como uma alternativa mais limpa e imediatamente disponível, capaz de desempenhar um papel relevante no transporte rodoviário. Ao longo do tempo, foi possível desmistificar alguns tabus sobre esta fonte de energia, ao mesmo tempo que se reorganizou o quadro normativo, e, por conseguinte, incrementar a utilização do GPL Auto em Portugal..As vantagens são várias, desde logo a componente ambiental, correlacionada com a transição energética. Os dados da Associação Europeia de Gás Liquefeito são perentórios: a utilização de AutoGás decresce as emissões de NOx - tão importantes para melhorar a qualidade do ar nas cidades -, em 68%, e de partículas até 100%. Consequentemente, reduz o efeito de estufa, diminuindo as emissões de CO2 em 14%. O ruído, por seu turno, é também minimizado em 50%..Mais recentemente, a conjugação de uma série de fatores, como a subida das cotações do Brent, a elevada carga fiscal dos combustíveis líquidos e a introdução de biocombustíveis levaram a uma subida dos preços médios de venda ao público (PMVP) dos combustíveis líquidos, o que tornou o AutoGás ainda mais relevante na escolha dos consumidores portugueses. Considerando os últimos meses, o uso do GPL Auto permite uma poupança de até 45% em relação aos combustíveis tradicionais, uma vez que o seu preço é, aproximadamente, metade do da gasolina, embora o consumo seja ligeiramente superior..A nível mundial, são já 26 milhões de veículos movidos com esta fonte de energia, 15 milhões se tivermos em conta apenas o continente europeu. Este incremento considerável de há 10 anos para cá tem sido possível, também, pelo aumento da rede de Postos de Abastecimento que oferecem esta solução energética, que ainda não atingiu o seu cume..No terceiro trimestre de 2021, segundo dados da APETRO, o consumo de AutoGás aumentou, atingindo 8,4 milhares de toneladas durante o período em análise, o que se traduz num aumento de 0,64 milhares de toneladas (+7,7%) em relação ao período homólogo. Na Repsol, temos vindo a recrudescer a nossa rede de Estações de Serviço com AutoGás, tendo, atualmente, mais de 90 Estações de Serviço com esta fonte energética..Sob pena de não salvaguardarmos a segurança energética, é necessário investir na multienergia: nos biocombustíveis, nos combustíveis sintéticos, na eletricidade, no gás natural veicular e no hidrogénio. Algumas destas fontes de energia carecem de maturidade e de infraestruturas que as acompanhem. Requerem, essencialmente, tempo..A transição energética não será conseguida por decreto, nem aparecerá de supetão. Aproveitemos as energias existentes e tenhamos neutralidade, tecnológica e científica. Existe um roteiro que terá de ser percorrido para atingirmos a neutralidade carbónica, e o GPL Auto está neste livro de bordo..Rui Aires, diretor do Negócio de Estações de Serviço da Repsol em Portugal