O exemplo do IDN

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Há muitas instituições que continuam a ser uma referência na promoção de um sentido estratégico de identidade e cidadania. É o exemplo do IDN - Instituto de Defesa Nacional, que ao longo dos anos se tem assumido como um verdadeiro centro de competência na capacidade de fazer da confiança e do valor as bases para a afirmação de um propósito para este novo tempo que estamos a viver. Um grupo de auditores volta esta semana ao IDN para em conjunto refletir sobre os desafios que a nova ordem global nos traz e avaliar um percurso e uma narrativa construída nos últimos anos, num contexto de profundas mudanças geopolíticas e sociais.

Todos os anos responsáveis políticos e decisores na área pública passam pelo IDN. São muitas as palavras que sinalizam a experiência colaborativa que se tem no IDN. Uma delas é a confiança. A confiança é a chave central do funcionamento de uma sociedade. Sem confiança, os cidadãos não se mobilizam para o futuro nem as instituições são capazes de protagonizar a sua própria mudança. Nunca tanto como agora a confiança é vital para dar um novo sentido estratégico ao desígnio que todos temos pela frente de construir as bases para uma agenda de modernidade, capaz de criar valor e de sustentar um contexto de ambição percecionado pelos cidadãos e pelas instituições. Através de um contrato estratégico assumido pela sociedade nas suas diferentes dimensões.

Este contrato de confiança entre os atores da sociedade não pode de forma alguma assentar unicamente numa definição formal por decreto avalizada pelas autoridades centrais - tem que se materializar na operacionalização efetiva de ações concretas no dia-a-dia da vida social, em que todos percebam o alcance desse grande compromisso entre o grau de intervenção individual e a participação coletiva num espaço público que se pretende seja aberto e participativo. Também nesta matéria o IDN tem sabido ser um exemplo pela matriz de referência que tem desenvolvido nas reflexões estratégicas que promove e consolida ao longo dos anos junto das gerações que o vão frequentando.

A confiança tem que se assumir como o ponto de partida e de chegada de uma nova dimensão da ética social. Assumido o compromisso estratégico da aposta na inovação e conhecimento, estabilizada a ideia coletiva de fazer do valor e criatividade a chave de uma nova agenda competitiva para a nossa sociedade, importa que as instituições se posicionem na linha da frente da redefinição do seu propósito estratégico. Importa também que os cidadãos estejam disponíveis para uma nova forma de integração em sociedade, onde a partilha de ideias seja a base para fazer do conhecimento a âncora de uma ideia que se pretende estratégica para o futuro. Também aqui o IDN é um exemplo pela valorização que tem feito do conhecimento junto da comunidade.

As perguntas que as pessoas lançam, a propósito do papel das instituições num contexto de crise em tempo de globalização, correspondem sem dúvida a um sentimento coletivo de uma nova geração que cresceu e amadureceu numa sociedade aberta onde a força das ideias é central para o desenvolvimento da responsabilidade individual num quadro coletivo. A nova geração que ganhou dimensão global através da força dos instrumentos da sociedade da informação acredita na felicidade e na justiça humana mas à custa duma adequada aposta na criatividade individual e no reconhecimento do mérito na criação de valor. Por isso, importa que se desenvolvam ideias que apresentem uma solução diferente para os próximos tempos do país. O IDN tem sabido ser um exemplo nesta agenda de futuro e é sempre um gosto voltar a uma casa onde a confiança continua a ser uma palavra com sentido.

(Nota: o autor escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico)

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor - Especialista em Inovação e Competitividade