A economia portuguesa está assente em pequenas e médias empresas, muitas delas com potencial de crescimento. Potencial este que não é desenvolvido devido à dificuldade de realizar investimento na profissionalização do negócio e dificuldade de acesso a financiamento de médio e longo prazo. Estes constrangimentos foram agravados pelos efeitos decorrentes da crise pandémica.
É neste cenário, e no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que o Governo aprovou a criação de um Fundo de Capitalização e Resiliência de 1.300 milhões de euros, com vista à recapitalização de empresas viáveis afetadas pela pandemia Covid 19 e à capitalização de empresas em fase inicial de atividade ou em processo de crescimento e consolidação.
Este programa é seguramente um importante instrumento para injetar dinheiro na empresa através de instrumentos financeiros de financiamento, desde que a mesma comprove a sua competência e a viabilidade do seu negócio. Ainda que possa ter fragilidades existentes ao nível da estrutura do seu balanço.
Destaco sete tópicos ou recomendações a ter em conta na avaliação da necessidade de capitalização do seu negócio:
1. Diagnóstico de balanço
Conheça as contas da sua empresa como as palmas das suas mãos. O valor dos ativos não correntes (imóveis, equipamentos, participações, direitos), a realização dos ativos correntes por comparação com as responsabilidades registadas no passivo e o financiamento desses ativos registados no passivo corrente e não corrente. Nesta lógica terá por diferença, entre os ativos e passivos, o valor dos capitais próprios cuja evolução depende fundamentalmente da performance de exploração do negócio.
2. Nível de liquidez
Avalie o historial dos fluxos de caixa operacionais correspondentes às entradas de dinheiro menos as saídas de dinheiro.
3. Indicadores operacionais
Avalie a capacidade instalada que permite ao seu negócio a formação dos resultados, as margens brutas e os custos de funcionamento, que conduzem à capacidade do negócio gerar cash flow (EBITDA).
4. Indicadores de produtividade
Por comparação com o mercado, avalie a competitividade do seu negócio, a capacidade instalada e os recursos utilizados.
5. Perspetivar o negócio futuro
Avalie as perspetivas futuras de continuidade e expansão do negócio criando vários cenários, atendendo às oportunidades e riscos assentes nos pontos fortes e pontos a melhorar da empresa.
6. Avaliar o montante de financiamento necessário à capitalização
Seja para resolver desequilíbrios de tesouraria de curto prazo decorrente dos efeitos da pandemia seja para financiar a fase de relançamento da empresa, procure quantificar o montante real que precisa de forma a manter o negócio saudável no médio e longo prazo.
7. Plano de negócios
Por último, e não menos importante, desenvolva um plano de negócios detalhado, com layout profissional, para apresentar a eventuais investidores e financiadores.
Vítor Santos, Senior Partner, DFK