Liberto das amarras comunitárias o Reino Unido pôde começar a vacinação em massa da sua população já no inicio deste mês de Dezembro, seguindo as pisadas da Rússia e da China, enquanto a União Europeia se debate nas burocracias de aprovação das vacinas disponíveis..Os britânicos começaram, e bem, pela população mais exposta ao risco, os idosos, não querendo ouvir o douto parecer da nossa Direção Geral de Saúde que preferia começar pelos que não correm perigo..Em contrapartida antes de meados de janeiro não haverá vacinas na União Europeia e o ritmo de vacinação anunciado para Portugal vai fazer com que o país perca mais um ano em termos de turismo..Entretanto na frente económica o impasse nas negociações do acordo de saída do Reino Unido prossegue com a União Europeia a mostrar dificuldade em conduzir com sucesso as negociações. Corre-se o risco de um não acordo. Para já o Reino Unido propôs e a União aceitou prolongar até ao próximo Domingo as negociações finais. Será suficiente?.Uma das armas negociais da União Europeia consistia nos múltiplos acordos comerciais com países terceiros. Ao sair da União o Reino Unido perderia o acesso a esses mercados nas condições favoráveis existentes. Acontece que desde que o Brexit foi aprovado em referendo o Reino Unido já assinou acordos bilaterais com a grande maioria desses países nas mesmas condições ou em condições mais adaptadas aos britânicos. Lá se foi uma vantagem negocial..Portugal é dos países mais prejudicados pelo Brexit, desde logo pelo turismo, mas também pelo conjunto de empresas inglesas a laborar em Portugal que poderão num cenário de não-acordo ter um incentivo negativo, em termos de direitos alfandegários e outros, de permanecer no nosso país. Que está a ser feito para reter essas empresas?.A sua saída no meio de uma crise provocada por uma gestão desastrosa da pandemia, não poderia ser pior. Uma crise que terá um ritmo de recuperação lento e complexo e com muitas baixas, em termos de empresas, pelo caminho..E para piorar a situação alguns milhares de portugueses a residir no Reino Unido viram a permanência ser-lhes negada. O retorno a uma pátria em crise?.Esta semana muitos compradores portugueses da Amazon do Reino Unido receberam uma mensagem alertando-os que a partir de janeiro muito provavelmente os artigos que comprarem serão sujeitos a direitos alfandegários e poderão ser inspecionados pelas Alfandegas portuguesas, o que demorará a entrega. Para a Amazon, multinacional norte-americana, tal não constitui qualquer problema uma vez que existem mais lojas da marca na Europa. O consumidor português que gosta da Amazon.co.uk esse sim tem um problema, ou passa a comprar noutra loja ou terá de suportar um custo adicional que é uma receita da União Europeia..Neste mar agitado Portugal parece navegar à deriva levado pelas ondas alterosas da política internacional onde a nossa voz parece não se fazer ouvir. Uma coisa tenho contudo como certa, o nosso interesse nacional permanece mais próximo do Reino Unido do que da Espanha ou da Alemanha.