A Diplomacia Inteligente é fundamental na nova agenda económica para Portugal e deverão ser as empresas a liderar o processo de afirmação da competência portuguesa no mundo global. Muito oportuna neste contexto a iniciativa da PTPC - Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção, no âmbito do seu projeto de internacionalização associado às multilaterais, de promover através duma Ação Prestige o que de melhor se tem feito na área da construção no nosso país, com apresentação de obras de referência de empresas nacionais. Só se conseguirão aumentar os índices de reputação da nossa economia no exterior se soubermos prestigiar da melhor forma as nossas competências e o exemplo da PTPC é claramente uma referência nesta agenda.
A Diplomacia Inteligente tem que se assumir como o ponto de partida e de chegada de uma nova dimensão da competitividade em Portugal. Assumido o compromisso estratégico da aposta na inovação e conhecimento, estabilizada a ideia coletiva de fazer do valor e criatividade a chave da inserção das empresas, produtos e serviços portugueses no mercado global, compete às empresas a tarefa maior de saber protagonizar o papel simultâneo de actor indutor da mudança e agregador de tendências. As empresas terão que saber utilizar as redes diplomáticas existentes, sempre numa base de partilha colaborativa estratégica e tendo por base a concretização de objectivos claros e adequados á carteira de competências do país. A ação Prestige da PTPC é um belíssimo exemplo desta estratégia.
As empresas têm que se assumir como atores globais, capazes de transportar para a nossa matriz social a dinâmica imparável do conhecimento e de o transformar em activo transaccionável indutor da criação e riqueza. Para isso, a chave da Diplomacia Inteligente deverá assentar em três grandes instrumentos estratégicos - a captação de investimento de inovação, o reforço da carteira de valor das exportações e a projecção superior da Marca Portugal. Diplomacia Inteligente é assim um compromisso entre ambição e excelência, um verdadeiro apelo á mobilização dos nossos melhores talentos e competências.
A questão do papel dos talentos na Diplomacia Inteligente é decisiva. É inequívoco o sucesso que nos últimos anos se tem consolidado na acumulação de capital de talentos de Norte a Sul, nos diferentes Centros de Competência que proliferam pelo país. Chegou agora o tempo de dar a estes talentos dimensão global, no aproveitamento das suas competências e na geração de criatividade e valor que eles podem induzir. Duma forma sistemática, arrojada mas também percebida e participada. A sua participação em projectos integrados colaborativos de base global é um desafio que tem que ser incentivado. A PTPC tem feito da inovação o motor da sua estratégia como o seu BUILT Colab tão bem tem sabido executar.
As empresas têm um grande desafio no grande projecto da Diplomacia Inteligente. Porque as empresas são um percurso possível decisivo na nossa matriz social, o sucesso com que conseguirem assumir este novo desafio que tèm pela frente será também em grande medida o sucesso com que o país será capaz de enfrentar os exigentes compromissos da globalização e do conhecimento. As empresas têm que assumir dimensão global ao nível da geração de conhecimento, valor, mas também de imposição de padrões sociais e culturais. Por isso a agenda do Prestige deve ser claramente um exemplo a seguir no futuro.
Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor - Especialista em Inovação e Competitividade