Sustentabilidade: a miragem da construção verde

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Por natureza, a indústria da Construção é consumidora de recursos naturais, mas as preocupações crescentes com as alterações climáticas e a natureza finita desses recursos têm feito aumentar a pressão sobre as empresas do setor para reduzir o seu impacto ambiental e intensificar a procura de soluções mais sustentáveis.

Adotar métodos de construção mais ecológicos não é um processo que se desenvolva do dia para a noite, sendo que, entre os maiores desafios a enfrentar, está o custo dessa opção. Para as empresas, a acessibilidade das soluções faz a diferença na aposta em alternativas verdes e nem mesmo a procura cada vez mais concreta do mercado contraria, para já, o conservadorismo da maior parte dos players. Mas vislumbra-se uma luz no fundo do túnel.

Tendências como as da eficiência energética e da utilização de recursos renováveis e recicláveis têm sido reforçadas pelo aumento dos incentivos à neutralidade carbónica, bem como à diminuição da pegada ecológica. A integração de painéis solares para aproveitamento do aquecimento de águas e a instalação de sistemas inteligentes para gestão dos consumos são exemplos de passos concretos para se reduzirem desperdícios e custos. Por outro lado, a utilização de soluções sintéticas nos projetos (em bancadas, pavimentos e outros), em substituição de materiais naturais, garante a proteção de paisagens e habitats, por via da não exploração, sem comprometer a qualidade final do produto.

Também a gestão das zonas de exploração e a certificação dos resíduos têm vindo a ganhar terreno como tendências do setor em matéria de sustentabilidade. O controlo de todo o ciclo de vida da obra – desde o local de extração dos materiais até à zona de depósito dos desperdícios – obedece hoje a critérios definidos. Métodos de avaliação como o BREEAM são cada vez mais usados para, através de indicadores e métricas de sustentabilidade com base científica, se garantir a sustentabilidade de projetos, obras e comunidades.

Sabendo-se também que, perante preços semelhantes, a maior parte dos compradores está disposta a mudar comportamentos se isso lhe permitir apoiar uma causa válida, o potencial da reputação de responsabilidade social corporativa associada à construção sustentável não deve ser menosprezado.

Os caminhos para um setor mais sustentável são cada vez mais claros e promissores. Num futuro que se quer não longínquo, a “Construção Verde” passará a ser a “norma” e a realidade, como a conhecemos, a miragem.

Nuno Garcia, diretor-geral da GesConsult