Recebe a fatura do pacote de telecomunicações que contratou e verifica que o valor a pagar é mais elevado do que o habitual. Surpreendido? Não vale a pena, certamente haverá alguma razão para isso. Portanto o melhor é pegar no contrato e verificar.
Será que contratou um serviço com desconto ou redução de preço temporária (sendo que, após o término dessa promoção, pagará mais todos os meses), ou excedeu os limites do serviço e, como tal, está a pagar pelo que consumiu a mais (como pode acontecer com os dados móveis do telemóvel), ou ainda, não terá feito a subscrição de algum produto involuntariamente?
Nada disto corresponde à realidade, então a questão é um pouco mais complicada e o mais certo é não ter analisado atentamente todas as condições do pacote de telecomunicações que contratou, ou seja não leu tudo, mesmo as letras mais pequeninas.
Para evitar situações como esta, no Dia Mundial da Poupança, o Dinheiro Vivo, com o apoio da ComparaJá.pt, plataforma gratuita de comparação de produtos de crédito e serviços de telecomunicações, elencou alguns dos custos "escondidos" nestes pacotes.
Custos “escondidos”
O aluguer da TV Box não costuma estar incluído na mensalidade que surge na publicidade feita a um determinado pacote de telecomunicações, mas esse valor acrescido está referido nas informações adicionais disponibilizadas pelas operadoras. Verificando bem, é possível ver na altura de fazer o contrato que este serviço tem um custo adicional médio de 5 euros por mês.
Vejamos então por operadoras. A Vodafone, por exemplo, não inclui a TV Box na mensalidade apresentada. Num pacote 3P, um agregado familiar poderá ter 100 canais ou, se pagar adicionalmente 5,50 euros por mês ter acesso à grelha de 145 canais e à gravação. Os valores mensais variam entre os 28,90 euros, sem TV Box, e os 35,40 euros, com TV Box.
Também na operadora NOS este custo adicional não muitas vezes considerado pelos consumidores. O montante mensal do pacote é de 48,99 euros mas, com a TV Box, acrescem 5,50 euros. Situação semelhante se pode encontrar na MEO pois, por exemplo, para um cliente ter acesso a todos os canais, conteúdos em alta definição, videoclube, canais premium e aplicações interativas, pode ser necessário alugar uma MEO Box. Além disso, nesta operadora o equipamento telefónico não está incluído, havendo a opção de aluguer mensal de telefone sem fios por 0,99 euros ou a compra por 19,99 euros.
Fibra ótica
Ter ou não acesso à rede de fibra ótica faz a diferença na fatura, porque quem não tem, paga mais para aceder ao serviço, muitas vezes com uma qualidade inferior.
"Os custos mensais de contratar um pacote de telecomunicações com fibra ótica ou com qualquer outra tecnologia são um pouco diferentes. Os clientes que não têm acesso à fibra, sendo servidos através da tecnologia de Satélite, ADSL ou Tecnologia de Rede Móvel, pagam cerca de 4 euros a mais por mês para um serviço muito menos completo: desde internet mais lenta, a menos de metade da velocidade, menos canais de TV, entre outros", revela a ComparaJá.pt.
Por isso é fundamental, para evitar surpresas, que antes de assinar qualquer contrato verifique se o valor publicitado não é apenas referente à oferta de fibra ótica, sendo depois a mensalidade do serviço com recurso ao satélite – aquele que efetivamente poderão usufruir - mais elevada.
E claro, mesmo para os que utilizam fibra ótica, deve sempre comparar as ofertas existentes na sua morada para perceber se não podem beneficiar das vantagens.
Custos da rescisão antecipada
Rescindir o contrato antes do período de fidelização, normalmente dois anos, não tem a mesma penalização desde a entrada em vigor da nova legislação, com a qual os custos para rescindir deixam de incidir sobre o valor das mensalidades em falta, e passa sim a integrar todos os serviços que são oferecidos promocionalmente, nomeadamente a instalação, a ativação, todos os canais premium, entre outros, proporcionais aos meses em falta.
Tendo em conta estas alterações é importante verificar que as operadoras "aumentaram os os custos da instalação e de alguns serviços adicionais, e no caso de o cliente pretender cancelar a fidelização, será necessário pagar os custos de instalação e os serviços adicionais que as operadoras de telecomunicações ofereceram na adesão", salienta a plataforma, acrescentando que atualmente, o custo de instalação do equipamento pode variar entre 200 e 300 euros, por exemplo, valor que deve constar no contrato de fidelização.
Ou seja, se antes da legislação o consumidor era obrigado a pagar as mensalidades em falta até ao fim da vigência desse contrato, agora e tendo em conta o aumento generalizado dos custos de instalação e serviços adicionais, "os encargos com a rescisão de um vínculo de 24 meses de fidelização chegam a ser mais elevados do que o cumprimento integral do contrato"
Regra básica: Ponderar o período de fidelização de forma a evitar custos acrescidos mais tarde.
Para além disso, devem, então, informar-se bem sobre quanto terão de pagar se pretenderem rescindir antecipadamente. Esta informação está dispersa pelos websites das empresas de telecomunicações, "pelo que os portugueses devem insistir com a operadora com a qual pretendem ficar fidelizados para saber exatamente qual o custo de rescindir o contrato, caso necessitem de cancelar o contrato antes do término do período de fidelização", frisa a plataforma.
Outros casos há em que é possível terminar o vínculo contratual, sem custos acrescidos. Por exemplo caso haja incumprimento, por parte da operadora, do que esta se comprometeu a fornecer (internet lenta, por exemplo) e que está descrito no contrato. Também a alteração anormal de circunstâncias que impeça o consumidor de continuar a cumprir o contrato nos termos em que o mesmo foi acordado, nomeadamente o desemprego de um ou dos dois membros de um casal, emigração ou até mudança de morada justifica uma rescisão sem custos.