É mais uma ferramenta no estojo dos supervisores chineses para suster a queda da moeda chinesa, o renminbi. Desde o início do mês, que o câmbio frente ao dólar, e contra um cabaz de moedas de parceiros comerciais, retomou uma ponderação que tinha sida neutralizada, a dos fatores contracíclicos. É a segunda vez que Pequim recua na flexibilização do câmbio desde que há três anos criou um mecanismo de câmbio mais orientado para o mercado.
Ou seja, os bancos que referenciam as taxas de câmbio que ajudam a fixar o valor diário da moeda chinesa no mercado doméstico estão agora a contrariar a descida do câmbio verificada nos mercados externos de moeda, onde desde o início do ano o dólar norte-americano já escalou mais de 5% contra o renminbi.
A China tem dois câmbios de referência: o doméstico, controlado, e o offshore, livre. O câmbio da moeda chinesa é fixado diariamente na China com base no preço de fecho e nas oscilações do renminbi no exterior do país, podendo depois variar num intervalo-limite de 2% para cada lado.
Foi este o mecanismo de flexibilização introduzido em 2015 e que valeu à China apreciação positiva do Fundo Monetário Internacional quando decidiu incluir o renminbi no cabaz de moedas de reserva que compõe os direitos especiais de saque da instituição.
Após a medida, seguiu-se uma forte volatilidade dos mercados, desvalorização e um grande fluxo de saída de capitais do país. Os fatores de ponderação contracíclica foram introduzidos em 2017, mas tinham sido neutralizados já em janeiro deste ano, segundo o banco central.
A moeda da China é uma das divisas que tem vindo a sofrer com a subida do dólar - e, possivelmente, com as tensões da atual guerra comercial. O peso argentino e a lira turca foram dos mais afetados até aqui, mas também o real brasileiro tem vindo a assistir uma desvalorização forte nos últimos dias, com as moedas a serem penalizadas igualmente por fatores políticos e de vulnerabilidade fiscal.
Além dos controlos sobre o mecanismo de câmbio, Pequim tem ao dispor ainda a possibilidade de vender reservas cambiais - num nível de 3,12 biliões de dólares em julho - e de impor maiores controlos à saída de capitais. Recentemente, as autoridades centrais subiram também as obrigações de reserva para os operadores de contratos de moeda para 20%.