Portugal diverge da Europa este ano outra vez, mas no próximo volta a convergir

Depois de um tombo monumental no ano passado, Espanha deve registar maior crescimento da Europa em 2021. Zona euro avança 4,3%, deixando Portugal para trás. Mas no ano que vem a situação inverte-se.
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Entre 2016 e 2019, a economia portuguesa cresceu a um ritmo superior ao da média da zona euro, naquele que foi chamado de "processo de convergência real": o País estava a aproximar-se dos padrões de vida mais elevados, como os que vigoram em países como Alemanha, França, Espanha, Itália. Mas a pandemia vai interromper esse caminho.

Segundo a Comissão Europeia, que divulgou esta quarta-feira as previsões da primavera, a recessão foi mais pesada em Portugal do que na média da zona euro, muito por causa da "elevada dependência" da economia nacional em relação ao turismo.

Assim, a contração no ano passado foi de 7,6% enquanto na zona euro a economia caiu 6,6%. Este ano, a divergência continua. Portugal deve crescer 3,9%, mas a zona euro irá mais depressa, a um ritmo de 4,3%, dizem as novas previsões da CE.

Em 2022, o País deverá reatar a aproximação aos seus pares da moeda única. A zona euro cresce 4,4%, mas Portugal vai mais depressa, avança 5,1%.

Este ano, a retoma mais forte deve acontecer em Espanha (5,9% de crescimento), o que também se compreende na medida em que a economia vizinha e maior parceiro económico de Portugal sofreu a maior quebra do produto interno bruto (PIB) da Europa em 2020, o primeiro ano da pandemia. Espanha afundou 10,8% no ano passado.

Na zona euro, a retoma mais fraca será a da Holanda (2,3%), mas isto também é explicado pelo facto de o país não ter sofrido tanto quanto outros em 2020 (a recessão foi de 3,7%).

A maior economia da Europa, a Alemanha, deve crescer 3,4% em 2021, menos que Portugal e que a média do euro. França, a segunda maior economia, deve registar uma retoma importante este ano, na ordem dos 5,7%. Será a segunda melhor marca da Europa, a seguir à de Espanha.

A Comissão Europeia refere que "as previsões económicas da primavera de 2021 apontam para um crescimento de 4,2 %, em 2021 e de 4,4 %, em 2022" no território dos 27 países da União Europeia.

E que "a economia da área do euro, por seu turno, deverá registar um crescimento de 4,3 % este ano e de 4,4 % no próximo ano".

Estes números indicam "uma nítida melhoria das perspetivas de crescimento comparativamente às previsões económicas do inverno de 2021, que a Comissão apresentou em fevereiro".

Bruxelas recorda que "a pandemia de coronavírus representa um choque de proporções históricas para as economias europeias". Em 2020, a zona euro afundou 6,6 %.

"Muito embora, de modo geral, as empresas e os consumidores se tenham adaptado para enfrentar melhor as medidas de contenção, alguns setores - como o turismo e os serviços prestados às pessoas - continuam a ser afetados", alerta o executivo comunitário.

A CE destaca também que "a retoma da economia europeia, desencadeada no verão passado, foi interrompida no quarto trimestre de 2020 e no primeiro trimestre de 2021, paralelamente à introdução de novas medidas de saúde pública para conter o aumento do número de casos de covid-19".

Mas neste momento, diz a Comissão, devemos esperar uma "forte retoma das economias da UE e da área do euro à medida que as taxas de vacinação aumentarem e as restrições forem progressivamente suprimidas".

"Este crescimento será fomentado pelo consumo privado, pelo investimento e pela crescente procura de exportações da UE, que advirá do fortalecimento da economia mundial."

Além disso, "os investimentos públicos, em percentagem do PIB, deverão atingir em 2022 o seu nível mais elevado em mais de uma década, sob o impulso do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR), o principal instrumento no âmago do instrumento Next Generation EU [o novo orçamento europeu plurianual, que vai durar sete anos]".

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