Numa altura em que os cortes às pensões são uma preocupação para quem se aproxima da idade da reforma - e o fantasma de não haver reformas para quando os que ainda estão em idade ativa se puderem finalmente aposentar - os Planos Poupança Reforma (PPR) são uma boa alternativa para poupar para a velhice.
Um estudo da Deco Proteste revela que há opções que chegam a um rendimento de 10% ao ano nos últimos três anos se se estiver disposto a investir numa opção com risco. O rendimento do PPR depende do perfil: um investidor mais jovem e com um perfil de investimento de risco, sem garantia de capital pode conseguir chegar a esta rentabilidade.
Segundo a associação de defesa do consumidor para conseguir poupanças é necessário poupar 10% do rendimento mensal - o que, para quem recebe o salário mínimo, é impensável, representando 53 euros por mês. E é aqui que entram os PPR, que são soluções mais flexíveis e acessíveis. Permitem entregas esporádicas e de baixo montante, que podem começar nos 25 euros por mês.
A modalidade do PPR pode ter a forma de fundo de investimento ou fundo de pensões e ainda de seguros. O levantamento feito pela Proteste Investe propõe opções com e sem garantias de capital (ver caixa). No caso dos PPR com garantia de capital a Deco comparou o Leve Duo PPR, uma das opções da Fidelidade, com o PPR PSN, uma mutualista espanhola e o PPR + Seguro da Generali. Os PPR sob a forma de seguros ganharam 2% brutos, em média, em 2015. A comparação no caso dos PPR com risco foi feita entre o Alves Ribeiro PPR, o Novo Banco PPR e ainda o Optimize PPR Ações. Os fundos PPR sem garantia de capital conseguiram, em média, 1,9% de rentabilidade em 2015 e 3,7% nos últimos três anos, segundo os dados da Deco.
Perda de benefícios fiscais
Uma das dúvidas para quem investe em PPR, e que tornou o produto menos apetecível nos últimos anos, é a questão da perda dos benefícios fiscais. Em 2011 foi imposto um teto máximo de 100 euros nos benefícios fiscais, o que arrefeceu o interesse dos investidores relativamente a este produto, desincentivando a poupança no médio e longo prazo. Contudo, para a Deco, esta é uma falsa questão já que o investidor pode pagar uma taxa de imposto de 8% se o PPR for resgatado cumprindo as condições legais em vigor.
Para o investidor beneficiar das vantagens fiscais apenas pode resgatar o PPR a partir dos 60 anos, contando que tenham decorrido cinco anos de entregas. E só pode resgatar antes em casos muito concretos, como desemprego de longa duração ou doença grave. Do lado das desvantagens estão as elevadas comissões de subscrição, de resgate e de de gestão.
Nos PPR sob a forma de seguro as comissões de subscrição e entrega são as maiores (2,6% em média) e nos PPR sob forma de fundo são as comissões de gestão com maior peso (1,8% em média).
Os investidores também podem apostar em Certificados de Reforma, que são uma espécie de PPR do Estado. Aqui, apenas se tem acesso ao capital na reforma, ou seja, não há liquidez e não é possível transferir este investimento para um PPR. Em 2015, o fundo associado aos Certificados de Reforma ganhou 3% e conseguiu 4,3% nos últimos três anos. A Deco, contudo, não recomenda este produto devido à ausência de liquidez e a um retorno menor do que outros encontrados no levantamento feito pelos técnicos da associação.
Em caso de dúvida o melhor é comparar. E por isso mesmo a associação de defesa do consumidor criou uma ferramenta online que permite comparar o PPR que o investidor tem atualmente com outras opções no mercado, seja de fundo ou de seguros. A Deco avisa que mais de 90% do dinheiro aplicado em PPR está investido em seguros com capital garantido e diz que os investidores que queiram arriscar podem ganhar mais se optarem por um plano mais adequado ao seu perfil - escolhendo aplicar PPR em fundos.